domingo, 30 de dezembro de 2007

odeio promessas de fim de ano. odeio as porras das lan houses fechadas em plena segunda só porque é fim de ano. eu sei que não vou cumprir merda nenhuma mesmo. alguma vez eu disse que ia parar de fumar? acho que não, pelo menos eu acredito na minha falta de perseverança. eu sei que ano passado, no 31 eu estava na casa de fabio enchendo a cara com pessoas que hoje gostariam de me ver enforcada num coqueiro. ha-ha. fodam-se. devo passar 0 31 deste ano na mesma casa de fabio, também enchendo a cara, só que com pessoas amadas e fundamentais à minha existência diária. yeah.

e ano passado, pelo que me recordo, eu mandei as listas à merda. e deu certo. vai ser assim.

no máximo, uma tatuagem nova.

estou na lan house e tem um livro do kandisky me excitando. em inglês. vou ali vender meu pâncreas e já volto.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Meu estômago dói - claro que eu bebi demais. I've been drinking too much since..... i don't remember. Por que você não pára de beber, você pode dizer. Porque senão, que graça teria em levantar da cama? O mundo é mais bonito pelas lentes verdes de uma garrafa. Meu órgão está corroendo meu corpo, espirrando sangue e álcool por todos os poros. Não adianta comer. Nem quero comer. Acho que o ácido clorídrico perfurou as paredes estomacais e atingiu minha alma; agora, ficam as duas dores unidas, me enlouquecendo.

Comprei sapatilhas azuis. Estavam em promoção. Daqui a pouco estarei vendendo órgãos para comer. Aliás, meus órgãos estão todos em plena decadência.

Não entendo pica alguma de amor. Eu só reajo. Vou vivendo por instinto, babe. Perdoe a ignorância e a não-vontade de esconder emoções. Eu grito pra caralho e digo hurry back quando a tempestade passar. Não peço desculpas por viver assim: eu sou um animal e você também.

A verdade é que tudo que eu queria hoje era um potente leite de magnésio e uma pilha de filmes do Fred Astaire, para eu esquecer da minha existência e sapatear no céu de estrelas.

Fui.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Salvador continua o mesmo lixo.

A única diferença é que agora há ônibus de dois andares, vermelhos como os de Londres, passeando pela cidade.

Trash.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

i do believe when you don't like things, you live for some place you've never gone before.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

juliana diz:
amiga, acho que voce precisa arranjar um bofão
juliana diz:
bofão tipo pedreiro, sabe
juliana diz:
que te coma bunita em pé, na laje
juliana diz:
pra voce parar com frescuras existencialistas
L. diz:
HAHAHAHAHAHAHAHA
minha casa está uma baderna. um caos total. há roupas no sofá, na cama, na cadeira, na poltrona. não tive saco para guardar as peças da lavanderia e fui tirando toalha, calcinha, calça jeans tudo ao mesmo tempo e no liqüidificador. tenho preguiça de arrumar. tenho preguiça de viver. meu coturno esquerdo está ao lado da caixa de som. tenho medo. faltam oito dias.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Mariano estava parado no sinal. O Opala verde escuro estava começando a dar sinais de cansaço: o escapamento tal qual espingarda; as portas e janelas carcomidas pela ferrugem – o próximo seria ele próprio. Um cara veio lhe oferecer duas meninas. Fazem de tudo e do melhor, ele disse, segurando o bigode com os dedos.

Poderia matar esse velho nojento.

A visão daquelas unhas sujas de putaria e fumaça, e sei lá mais o quê, o enojava. Ainda mais segurando aquelas meninas. A de biquíni verde deveria ter no máximo quinze anos. Usava uma sombra azul exagerada para parecer mais velha. Não estava a fim de nada hoje, só de dormir. Além disso, ela tinha uma ferida na boca. Escorria pus. Visão do inferno.

O sinal continuava fechado.

Olhou para a outra menina. Essa não devia ter mais de dez. Usava um biquíni vermelho. Tinha um olhar de cavalo. Arisco e triste. Cavalo enjaulado num hotel fazenda, com crianças lhe bolinando. Adultos tarados, nesse caso.

Quanto é?

10 por uma, 15 pelas duas. Meia hora uma, uma hora as duas e nada mais.

Quanto é para comprar?

Porra, eu já disse, tu é surdo?

Eu quero comprar aquela. De vermelho.

A menina não mexia a cabeça; olhava continuamente para baixo. Nem relinchava.

É, ela é novinha. Chegou tem pouco tempo. Quase virgem.

Aquela expressão revirou o estômago de Mariano. Nem um homem agonizando na sua frente, chorando de dor e desespero, implorando por um perdão alheio – afinal, ele não tinha nada a ver com aquilo – lhe causara tal ânsia de vômito.

Quase virgem.

O sinal continuava fechado.

Mariano olhou para os lados. Criaturas da noite. Traficantes, gigolôs, travestis. Abriu a porta do carro, tirou quinhentos reais da carteira, entregou na mão suada do velho e pegou a menina pelo braço. Ela não esboçou reação alguma.

O sinal abriu.

Colocou a menina no banco do carona, bateu a porta do carro e não disse nada.

O velho saiu alisando o bigode oleoso. Achou que fizera bom negócio.

A .45 continuava no porta-luvas. Não fora preciso utilizá-la.

Qual seu nome?

Ela continuou de cabeça baixa.

Eu não vou te machucar.

Não adiantava: ela não respondia.

Quer um doce?
Que pergunta idiota, Mariano. Você não tem um doce no carro. E essa menina já é tão escrotizada por tudo e todos que nem deve saber o gosto de um brigadeiro.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Ás vezes eu penso que nunca vou ser nada, porra nenhuma.

E choro.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Estou escrevendo um novo livro. Contos. Pessoas abandonadas. Pessoas que abandonam.

Vai ficar fo-da.

Nina, vou dedicá-lo a você. Porque só você, no mundo inteiro, entende o significa de "el amor es sexualmente transmisible".
Listas? Ok, listas.

A) Ver os filmes baixados. Procrastinei tempo demais.

B) Baixar: The Good, the Bad and the Ugly; His Girl Friday; Coffy; La Règle du Jeu; Miracle in Milan; Harold and Maude; Last Year at Marienbad e Rashômon.

Deixe-me virar cadáver em frente ao computador. Serei feliz assim.

(Fodam-se aqueles que gritam "abaixo a pirataria". Tomarnocu)

C) Estou dando curso de Educação Cinematográfica. Ha-ha. Sério. É um caso grave. É um caso de hospital. É um ser humano que não gosta de Kill Bill v.1/2. É um ser humano que acha Truffaut chato. Você achar Godard chato, vá lá, mas TRUFFAUT? Aceito indicações, recomendações e camisas-de-força.

D) Férias. Sonhadas férias. Posso exercer toda a minha vertente escrota: aprenderei francês por osmose, com Les Diaboliques.

E) Faltam quinze dias. Quince. Fifteen.

F) Marco Ricca vai dirigir "Cabeça a Prêmio", do Marçal, em 2008. Beto Brant e Renato Ciasca vão roteirizar o livro mais belo já escrito em bom brasileiro: "Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios", do Aquino. Fico pensando quem vai interpretar a Lavínia. Ah, Lavínia... Eu morreria por ti, Lavínia.

Aquino escreve com sangue; seus livros jorram, sabe cumé? Eles exalam vida, uma vida podre, misturada a desinfetante e pólvora. Baratas roem os personagem de Aquino. E eles são tão belos. Como pode, me explica, como pode alguém ser tão podre e ao mesmo tempo tão cândido? Só Aquino explica.

G) Gostei de Nome Próprio. E Jogo de Cena. E estou digerindo O Passado. Tenho críticas - várias, observações - várias, e alguns elogios. É o melhor do Babenco, certamente. (Lembro quando eu assisti a Pixote, pela primeira vez. Como aquela cena da puta - Marília Pêra - comendo o Pixote me impressionou. Não sabia que mulheres podiam comer homens.)

H) Tô sem saco. Fui.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Não adianta, babe. Não adianta.

Ela dizia isso com a maior doçura que era possível para uma letra. Pausado, arrastado, as vogais caindo no chão. a-d-i-an-tá.

Isso era o que o emputecia. Porra. Se é pra terminar, então seja duro, caralho. Então mande à merda. Então vá tomar no cu. Então bata a porta. A doçura dela dificultava tudo, e só aumentava a vontade de arrancá-la de seu lençol com o dia passando devagar, esquecendo de si mesmo.

Mariana calçava o tênis. Penteava o cabelo. Olhava o relógio. Definitivamente ela iria embora. E não havia nada, mais nada, que ele pudesse fazer.

Ela bateu a porta. Não adianta, babe. Não adianta.

Ele ficou. Todo o sábado jogado na cama, olhando o gesso do teto descascando. Manchas estranhas pra caralho se formavam no céu branco de gente podre. Sábado, domingo e segunda. Só levantou na terça feira, quando o cheiro do corpo misturado a cigarro e sol e gesso tava fodido demais. Foi à padaria e a primeira coisa a perguntada:

Como vai Mariana?

Puta que pariu - esqueceu a .45 embaixo do travesseiro. A vontade era dar dois tiros nesse filhodaputa. Porra. Só queria um pão com café e o cara vem me provocar.

Tomarnocu.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Obrigada pelas latas de cerveja jogadas na esquina da sala, e as garrafas de Heneiken espalhadas pelo sofá, junto às carteiras de Marlboro, com uns cigarros esquecidos no espaço. Estava precisando. Obrigada por ouvir as teorias irascíveis - e furadas - sobre róqueinrôu, Tarantino, e tudo isso junto e dentro do liqüidificador.

-Eu vou dizer isso porque você está bêbada - e você ESTÁ bêbada - e não vai se lembrar amanhã, mas eu amo São Paulo.


Eu lembrei, babe.


Ainda fazemos uma boa dupla.

domingo, 25 de novembro de 2007

Eu ouço Be my husband, com a Nina Simone, bem alto que é para calar esse grito vindo da ventrícula. Rasga a voz, Nina. Grita, Nina, que eu grito contigo. Cada sílaba é uma lágrima que cai, é uma fumaça do meu cigarro invadindo a noite, saindo pela janela.

(A vontade que tenho é te torturar. Te prender numa cadeira e desfilar de calcinha preta, enquanto arranco cada unha, cada bola, cada cílio. Aproximar o alicate tão próximo que você cegasse de medo. )

Oh, daddy, now, love me good.

Um mosquito pica a minha perna. Tento pegá-lo, mas ele some. Voa para bem longe, e só volta para sugar mais um pouco do sangue da minha batata.

Há cerveja no meu congelador, e cigarro no meu cinzeiro. Vou ali.
Resgatei esse texto lá pelos idos de doismilecinco. Não sou de fazer isso. O que está escrito está escrito e foda-se. Não olho para trás. Mas me deu uma coceira de viver depois de ler isso.

Considerações finais

Ela acendeu seu último cigarro – ou o que pelo menos almejava ser o último cigarro da noite. Era tão noite dentro de si, que não distinguia choro de grito de raiva ou de dor. Era tudo a mesma coisa, tão embolado que estava dentro de si – tão torta que estava. Pensou em rezar, realmente pensou; mas rezar para quê, para quem, pedir o quê? pedir a salvação de sua alma? e se não tivesse alma, teria gasto um pedido à toa? e se nunca fosse atendida, seria eternamente frustrada? Rezar pra quê. Continuou o seu passeio noturno quarto-sala-quarto-sala. Ás três da manhã as fotos grudadas em sua parede com cola de escola que é uma merda, mas funciona, parecem pequenos pontos perdidos no universo enorme que é a sua parede. São apenas pontos, nada demais – pela manhã, transformam-se em momentos, em sorrisos (forçados ou não), em praias, ruas, casas, bancos, livrarias – e na verdade, não passam de pequenos pontos. Aquela velha sensação de ter tanta coisa para fazer, e vontade de nada, não conseguir levantar da cama, andar, pegar um copo d’água, acender o cigarro – ligou o piloto automático; ela ainda está no mesmo lugar, na cama, parada, estática. Nunca foi dinâmica. Sempre a chamaram de isolada estranha esquisita. Ela precisa fazer mercado – de que adianta, se não tem vontade de comer? – escrever uma carta para um amigo distante, escolher uma roupa para o casamento de uma amiga, ler dois livros, ah, ela não precisa de nada disso. E se sumisse? Simplesmente desaparecesse. Provavelmente iriam procurá-la por um mês ou dois, três no máximo, sua mãe iria ficar desesperada, mas o tempo cura tudo, não cura?, cura, claro que cura!, seus amigos iriam substituí-la por alguém mais interessante, talvez com o mesmo gosto musical para não ficar assim tão na cara que substituíram a amiga, mas tudo se dá um jeito, e o gosto musical dela não é assim tão difícil de ser copiado. Mas, iria sumir para onde? Uma cidadezinha perdida no meio da estrada? Isso não existe mais. Todos os lugares têm pessoas, e pessoas a irritam tanto. Pessoas são tão... pessoas. Seria melhor morrer, pular a janela, tomar arsênico, beber veneno, mas não tem coragem. Tem coragem viver, mas não tem coragem para morrer. Mentira. Não tem coragem para viver nem para morrer. Não tem coragem e ponto final. Não tem nada. Apenas uma parede cheia de pontos frios invadindo o seu campo de visão enquanto atravessa a porta o quarto pelo menos mil vezes. Tanto queria dormir. Tanto queria sonhar. Tanto queria rezar. Havia tanto o que fazer no dia seguinte – todas as coisas que deveria ter feito no dia anterior e não fez, mais as coisas do dia seguinte; pois que a madrugada nada mais do que é um período entre-dias, sem dia algum, sem definição de nada, apenas um enorme buraco negro e silencioso (também desesperador e angustiante, mas também confortável) a invadir o período entre-dias e a esperar ser expulso pelo outro dia. Precisa tanto dormir. Foi á cozinha, procurou um tylenol e deitou-se na cama. Pelo menos agora teria a certeza que iria dormir – alguma hora. Tomou mais outro, apenas por precaução. Um terceiro, porque queria dormir bastante. E dormiu tanto, tanto, que passaram-se os dias e ela ficou presa no entre-dias, na madrugada silenciosa.
L. diz:
eu tenho que estudar teoria da comunicação
L. diz:
mas to com preguiça
L. diz:
olha a teoria do cara:
L. diz:
a tecnologia é uma extensão do homem
L. diz:
e a internet é uma extensão d sistema nervoso
Tiago diz:
O.O
Tiago diz:
isso é bem aceito?
L. diz:
isso é respeitadíssimo
L. diz:
tipo.
L. diz:
a CADEIRA é uma extensão da bunda
L. diz:
o livro é uma extensão da mão
L. diz:
todos os meios de comunicação são produzidos a partir da necesidade do homem de ecnonomizar energia e otimizar o tempo
L. diz:
aí a galera vivia em modo tribal, e não queria ficar gitando por aí
L. diz:
resolveu escrever
Tiago diz:
mas ai toda cultura é uma extensão do sistema nervoso
L. diz:
nãããõ
L.diz:
a gente chegou a extensão do sistema nervoso agora
L. diz:
com a internet
L.diz:
VÉI
L. diz:
O CARA É MALUCO
L. diz:
OK?
Tiago diz:
ta
Tiago diz:
por isso q eu prefiro as naturais
L. diz:
só tem surtado.
L. diz:
só tem maluco.
L.diz:
só tem doidão
L. diz:
em comunicação
L. diz:
nunca vi.
Tiago diz:
eu to vendo
Tiago diz:
hehehehe
Tiago diz:
por isso q eu to adorando a farmacia
Tiago diz:
ta me trazendo de volta a realidade
L. diz:
é.. humanas endoidece a pessoa.
Tiago diz:
é
Tiago diz:
e é mto ambiguo
Tiago diz:
é mto facil d estar certo
L. diz:
não não
L. diz:
vc tem que ter uma boa argumentação
L. diz:
e isso é difícil.
Tiago diz:
isso é facil
Tiago diz:
vc só precisa de argumentos
Tiago diz:
mesmo q vc esteja inventando eles na hora
L. diz:
hahahahahha
L. diz:
eu já fiz isso
L. diz:
na prova
L. diz:
e tirei 10
L. diz:
Tiago diz:
viu só
Tiago diz:
pra começo de conversa, n existe 10 no meu curso
Tiago diz:
é uma nota hipotetica
L. diz:
hahahahahaha
Tiago diz:
pq msm q vc coloque td certinho o professor risca em algum lugar e diz "q n ta legal"
L. diz:
ô véi
L. diz:
esse curso é de maluco
L.diz:
ok?
L. diz:
ma-lu-co
L. diz:
o meu é de gente doida
L. diz:
mas sei lá, que se ENTENDE
Tiago diz:
é né
Tiago diz:
se o pessoal de COMUNICAÇAO NAO SE ENTENDER é pq tem alguma porra ai
L. diz:
HAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA

sábado, 24 de novembro de 2007

Eu tenho seis filmes baixados pelo emule: A Scanner Darkly, Baise Moi, Fanny & Alexander, C.R.A.Z.Y., Grosse Point Black e Little Children. Alguns já vistos. Outro dia, revi Waking Life. Adoro WL. Amo WL. Pago pau pra WL. A cena de abertura é uma das coisas mais lindas que eu já vi.



Mas é que atualmente o emule tá perdendo de lavada pro soulseek.



Encontrei umas gravações raríssimas do Elliott Smith cantando Beatles. Blackbird é de arrepiar. É de chorar. Eu tinha evitado ouvir ES - melhor dizendo, parado - para ver se 2008 seria menos bichinha e eu não chorava em ônibus ouvindo independence day. Mas não rola, cara, não rola. A voz desse homem consegue atingir a minha ventrícola mais feminina. No coração, i mean. Pra bom entendedor, meia música basta.



Baixei também o novo cd do Radiohead. E a trilha sonora de Death Proof. E The Kooks, que algum menininho do orkut me falou que era legal baixar. E uma tal de Big Wreck. Sabe colé? Eu não tenho mais paciência pra ficar lendo site de música. Muito menos de música indie. E ficar vendo os comentários e os fóruns e a freqüência de downloads. Meu cu. Agilidade, né, povo? Não tenho tempo pra comprar uma porra de um pão na padaria - tenho que comer na lanchonete da PUC - vou ter tempo para traduzir belga-dinamarquês-inglês. Vou nessas comunidadeszinhas-quero-ser-alterna do orkut e baixo umas bandinhas que o pessoal recomenda. Ouço, geralmente jogo fora e sei lá.


Sei lá.


A vida tá aí, babe. Acende um cigarro e se joga no asfalto.


Uma semana para a PUC acabar. Uma semana. Esbórnia, sacanagem, colchões, sarjeta - estou chegando com toda a minha sagacidade, e mais importante: a minha eterna nostalgia.

Babes, separem um quarto para mim. Estou chegando.

Cansei de ser careta. Me vê uma garrafa de vodka & aditivos, por favor.

Encontrem-me na sarjeta.
P. me pide que diga la verdad, pero no puedo hacerlo.

Soy un animal bruto.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ah, meu amor, como eu queria que você entendesse que eu apenas te amo. Mas sou um animal impossível de ser amado.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Vermelho era o esmalte dos pés de Ana Carla, que sentada, com as pernas abertas na cama, os calcanhares encostados na beirada, passava duas vezes o esmalte em cada unha. A unha do dedo mindinho do pé esquerdo estava quebrada - de tanto andar de havaianas por aí, já tinha esbarrado em poste, escada, quina, rato morto, pedra, bueiro, gente. Mesmo assim, pintava.

Tinha uma entrevista de emprego para ir hoje. Seria bom sair da lama logo - depois de pedir dinheiro emprestado a pai, mãe, ex-marido, e amiga, o próximo passo seria debutar em Copacabana. Semana passada a professora de redação da faculdade tinha mandado um e-mail a indicando como tradutora de uma senhora. O trabalho, aparentemente simples. 8h às 12h, todos os dias, ela iria para o apartamento dessa senhora - nem tão perto, nem tão longe, ainda na Zona Sul - traduzir textos do inglês, do espanhol e do francês para a mulher, professora, jornalista e dona de uma editora. Uma multiuso, digamos assim. Ana Carla ficava vendo como seria essa mulher. Três profissões. Moraria sozinha? Quantos anos teria? Pelo telefone, parecia ter uns trinta e três. Trinta e cinco no máximo. Loira? Morena? Ruiva? Usaria saia ou calça jeans? Era casada?

Separou os diplomas dos cursos de línguas, os textos escritos na faculdade - só separou os que tinham dez - colocou tudo na pasta junto com o currículo - apesar de odiar aquela 3x4 - assoprou os dedos dos pés a última vez, enfiou-os num scarpin de salto nem tão alto mas que desse para perceber que era um salto e saiu. Saiu para ganhar o mundo. Precisava daquele emprego.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O que aprendeu no último relacionamento? Não sou pessoa que preste.
O que você gostaria de fazer neste exato momento? Dormir.
Onde você gostaria de estar agora? No bar da Flor.
O que gostaria de comer agora? Top Sundae com calda de chocolate extra.
Tem algum vício? Marlboro e procrastinar.
Qual seu animal selvagem predileto? Tigre.
O que mais gosta de comprar? Adoro comprar. Sapatos, livros, filmes, cigarros e pessoas.
Dá valor a beleza externa? Não. E não sou hipócrita.
Bebida predileta: Vinho.
Você é feliz? Não.

(vocês percebem que eu deveria estar dialogando com Weber e a ética protestante, mas estou dando forward num questionáriozinho de merda?)
(Em um táxi sujo, saída de uma boate gay).

Novamente manchei meus dedos de nanquim
para me sentir viva.
E gritei seu nome em silêncio, no escuro,
porque queria que viesses me ver
- nua, no asfalto.

Tenho medo de tudo:
de mim, do soluço,
da espuma que arde.

Sinto um espelho que quebra
- um medo que nasce,
uma luz que brota,
e uma grande,
grande,
vontade de devorar o mundo.
A casa está uma bagunça - comecei a arrumar ontem, mas só foi suficiente para ver o quanto ela está suja. Agora, sem lençóis no chão ou livros pelas janelas - além de copos de chopp - tudo o que resta é sujeira. Total. Preciso de um dia inteiro esfregando cada centímetro desse chão de madeira nojento para que ele brilhe novamente.

(Acho tudo meio nojento. O chão, a camisola, a rua, o maldito pedreiro que me acordou às onze da manhã.)

Não tenho dinheiro. Nem um puto. Um centavo de merda. Falta uma semana para meu dinheiro entrar na conta. 2008, prometa que será menos sexo e mais dinheiro.

Sair do Rio de Janeiro. Pegar a estrada e sumir. Colo, cigarro, cerveja: preciso urgentemente.

Nina, oh Nina, que saudade das nossas conversas. Divide um cigarro comigo?

Alguém venha me resgatar desse poço de sujeira e sociologia no qual se transformou a minha casa.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O Alberto é egoísta porque é macho. Eu nunca tinha me relacionado com machos. Não desse tipo - da Zona Norte, católico, que acha que porque tem um pau tudo vai funcionar. Eu não preciso do seu pau, babaca. Eu tenho nojo da sua porra.

E ao mesmo tempo não sei porque volto. Volto ao metrô imundo, com as pessoas que olham para as minhas pernas grossas, a minha minissaia, meu cordão vermelho de contas. São todos uns reprimidos de merda.



Tudo isso Ana Carla pensava enquanto escovava o cabelo. Olhava-se no espelho e pensava. Escovava e xingava o mundo.
"A satisfação compensatória que a indústrial cultural oferece às pessoas ao despertar nelas a sensação confortável de que o mundo está em ordem, frustra-as na própria felicidade que ela ilusoriamente lhes propicia."



O dia em que quis estripar Fred Astaire ou
aprendi a amar vendo hollywood.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Eu ando me perdendo entre os livros de Weber, sem vontade de sair, sem vontade de ver gente.

Tão atrasada com trabalhos, estudos, matérias de fim de semestre. Ah. Entrarei em uma caverna e de lá não sairei jamás.

domingo, 11 de novembro de 2007

Mas sabe o que é pior?

Gostar de alguém e não receber esse gostar em troca.

Só receber bordoada.

Vivendo e aprendendo.
Com sua língua enfiada em mim, ele disse:

Eu te amo.

Mas eu só conseguia gritar.

***

Ana Carla estava deitada em uma cama estranha, sozinha.

Mantinha as mãos cruzadas sobre o peito, como cadáver. Cadáver viva.

Mesmo no escuro, reconhecia cada canto daquele quarto; ao seu lado esquerdo, uma mesa com um livro. E um abajour quebrado. Do seu lado direito, o ar-condicionado. Não estava no meio da cama - tinha mania de ficar no lado esquerdo, em posição fetal.

Ia embora ou chorava? Agarrou as pernas tão fortemente - quebrá-las. Mais uma vez enganada. Desprezada. Largada sozinha. Em mais uma cama estranha. Queria arrancar as unhas pintadas de vermelho.

Dormir. Era só o que precisava.

Ana Carla sonhava com a sua cama e o dia em que dormiria sozinha porque quis, e não porque foi abandonada.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cortaram minha internet por falta de pagamento. A conta do cartão de crédito do mês passado deu quatrocentos reais. A conta desse mês será cento e setenta. Dá pra pagar a internet. A NET eu já larguei de mão. Não via nada de interessante naquela porra mesmo.

Minhas fotos vão ficando pelo caminho - credo. Já perdi tantas. Acho que estou vivendo a teoria do Pedro, de que bom mesmo é ter os lugares na memória, e não no papel. Papel é feito pra limpar a bunda. E escrever.

Olho umas fotos antigas - no PC - e em todas elas eu pareço mais feliz do que estou hoje. Um olhar mais feliz, sabe? Estou ficando chata, chatíssima; as roupas acumulam-se no cesto. E quem disse que eu vou lavar? Nunca soube nunca saberei lavar roupas. No dia em que sair pelada na rua, veremos.

Essas coisas são tão... desimportantes. Roupa, NET, contas, papel. Rua. O que deveria importar não é o que está aqui dentro, o que dói, o que espirra sangue? O que deveria importar não é eu te ligar duzentas vezes e você não atender porque está na estrada, e eu amaldiçôo a estrada e a porra que vier porque eu queria que você estivesse aqui, me amando, caralho. E foda-se a NET. a NET não presta. a NET tem david letterman.

É o que dói, bicho. É sempre o que dói. É o que fica, é o que escreve, é o que marca, é o que fode. Foder não dói? Fumar não dói? Beber não dói? Atravessar a rua dói pra caralho. Por que eu tenho que atravessar essa merda e não ficar em casa, fumando meu cigarro e vendo os pequenos buracos que o gesso faz no teto? Por que eu não posso atravessar no sinal vermelho?

Eu ando surtando por esse ano de doismilesete.

Ando querendo sua compania.

Pedro, desculpe por tudo. Mas para amar a gente sofre.

Gui, como eu gostaria de estar com você, derrubando uma garrafa de tequila.

São Paulo é linda - São Paulo pulsa. Do abismo de suas ladeiras que brotam nunca se sabe de onde, São Paulo pulsa. Tudo acontece e tudo ao mesmo tempo; e eu sou uma pobre caipira acostumada com o silêncio das ruas de laranjeiras no domingo. Tenho medo de São Paulo. A cidade pode me engolir quando eu virar as costas. Tenho saudade de lá. Sinto saudade porque quero sentir vida. E vida é a porra que ejacula de São Paulo.

É um tanto quanto surrealista chegar a uma loja de discos e perguntar - tem algum do blind melon? e te responderem - qual você quer? tenho o primeirão, o soup e o nico. ok, vou ali dar o cu para uns cinco, pego o dinheiro e volto. (nada que seja tão bom é barato.)

Não ligo pra minha mãe tem umas duas semanas. Não sinto falta. Mentira. Sinto falta sim. Só não sei o que dizer. A cruel honestidade dela me impede. De falar, mesmo.

Tenho medo. De tudo. Juro.

domingo, 28 de outubro de 2007

Então, só relembrando o fim de semana que é para ter plena certeza de nunca mais sair de casa:



Tim Festival cu. Tenho 87 anos para isso. Gosto de ouvir minhas músicas em casa, sem barulho, sem meu ouvido estourado, sem o Dado Dolabella do meu lado, sem o pessoal do EGO ou do Amaury Jr., ou de qualquer porra que tenha sido aquela aparição fantasmagórica de dois spots de luz na minha cara, com um babaca de terno correndo atrás da Thalma de Freitas.

Sábado passando mal. Jah resolveu comer meu cu com farinha e me baixou uma febre de trinta e oito graus. Seria tudo bem, tudo óóóóótimo, se não fosse o terceiro dia na semana com febre. A minha veia hipocondríaca já pipoca: isso se chama infecção no coração e provavelmente eu tenho três meses, doze dias e quatro horas de vida. O dia vomitando quando deveria estar tendo encontros eróticos com Weber e Adorno. Sem conseguir comer nada; nem sanduichinho de pão árabe com ricota. Estômago fresco é assim mesmo.

Não, não quero, mas tenho que: dois aniversários na mesma noite. Um na Barra, outro na Lapa. A escolha da roupa já foi um parto - como colocar uma mesma coisa que não parecesse uma mambembe na Miami e uma Suzana Vieira na Lapa? Uma hora olhando pro armário, pras minhas banhas, acendendo um cigarro, pensando que estou gorda e minhas roupas estão velhas - o que não faria muita diferença pra Lapa, mas porra, eu tô indo a um lugar onde quem tem menos dinheiro ganha um quarta e sala por mês. Tá, ok, decidido. Trânsito. Duas horas.

Barra é sempre Barra - é a mesma bosta de qualquer maneira. Miami falando Mexxxquita.

Lapa. Aniversário. Sono. Cansaço. Febre voltado. Cerveja, mais e mais uma. A última. Batata frita - mas e a minha banha? Segura na mão de deus e vai, minha filha. Terminar a noite como sempre: Pizzaria Guanabara, Piña Colada - moço, bota mais rum e vê se bate o gelo, tá? Toda vez é a mesma coisa: nego gosta de deixar a porra aguada. Dormi. No meio da pizzaria, no meio da gente, cagando pra tudo. Dormi em cima a mesa, com o braço no cabelo que é pra todo mundo pensar que eu sou maluca mesmo e me deixar em paz.

Na hora de voltar pra casa: cadê a chave, Pedro? Tá na sua bolsa. Não tá. Tá, porra. Não tá, caralho! Ninguém pegou na porra da bolsa, eu tava dormindo. Você perdeu a chave, Pedro?

Taca a procurar chaveiro. Algum chaveiro aberto às 4h30 da manhã no Rio de Janeiro? Não. Vamo pro Leblon - única bosta de lugar onde a cidade não dorme. Claro, neguinho pode pagar segurança. Pega o chaveiro, leva pra casa - quanto é, moço? Sessenta. CARALHO, MALUCO, TOMAR NO CU. E aí, moça, quer ou não quer?

Tá valendo. Caralho.

Moço, quanto é pra fazer uma nova chave? Porque o mané aqui perdeu a original.
Olha, moça, eu vou ter que pegar o molde da sua fechadura, levar pra minha loja e fazer. Só que hoje é domingo, então... A loja não tá aberta. E custa 40 reais.

Tomar no cu, moço, tenha um bom dia e passe bem.

E eu fico aqui, domingão alegre, lendo Weber e Adorno com o cu do tamanho da ervilha porque a porta da minha casa está aberta.
As pessoas são complicadas, né? Quando foi que "eu não preciso de você" virou "vem para cá agora"?

Depois, nego vem dizer que eu sou grossa.

sábado, 27 de outubro de 2007

Eu sou tão triste que dói.

Não é um estar triste - é ser. É todos os dias olhar pela janela, ver o mundo e criar coragem para atravessar a rua. Isolar-se das pessoas, afastar aqueles que, por algum acaso, ainda tentam se aproximar - se refugiar nos cobertores.

Acordar todos os dias com uma angústia travada, uma merda de um choro contido que não sai de jeito algum e fica sugando, rasgando, irritando, extorquindo. Eu finjo um sorriso para não mostrar a minha incapacidade de chorar. Eu rio porque dói. Dói todos os dias. Eu existo porque dói.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Conclusões de feriado.

  1. Moi bebe demais.
  2. Moi fuma demais.
  3. Moi não sabe amar.
  4. Moi não sabe amar e escolhe as pessoas erradas para praticar o não saber amar.
  5. Moi prefere fugir a encarar as coisas.
  6. Moi não sabe dar pontos finais.
  7. Moi quer fugir.
  8. Moi quer se esconder.
  9. Moi quer virar agricultora na China.
  10. Moi não sabe dizer NÃO.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Estou cansada.

Estou cansada de tudo. Estou cansada dessa faculdade imunda com pessoas imundas que te olham estranho porque você está com sono e está lendo Nelson Rodrigues. Estou cansada das minhas coxas grossas que, por mais que eu tente, nunca irão diminuir vinte centímetros. Estou cansada de estudar teorias sociológicas e filosóficas já refutadas por outros sociólogos e filósofos que, no fim de oitenta páginas, irão dizer: isto já não serve para o nosso mundo. Estou cansada de teóricos e acadêmicos tentando entender o mundo. Esta merda não é para ser entendida, porra. Ou se quiser entender, pule de cabeça, mas não no meu quintal. Estou cansada do meio acadêmico e seus professores pensantes achando que estão mudando a cabeça de alguém - vocês não estão mudando a cabeça de ninguém. Ninguém realmente presta atenção em uma teoria que já começa com a frase: "isto não serve para nós". Você usa um microondas quebrado? Eu não uso uma teoria furada. Estou cansada do homem do gás que há quarenta dias disse que vinha consertar a merda que fez e nunca vem. Estou cansada desses prodígios da PUC que crêem piamente que vão salvar o cinema nacional - como se este precisasse ser salvo, ainda mais por prodígios da PUC - e o último filme que viram foi A Noite, do Antonioni. Estou cansada desses cineclubes da PUC que em vez de se preocupar com o que está sendo feito hoje em dia, o que é palpável, discute a obra de um autor vietnamita que só fez cinco filmes e morreu quando uma bomba nuclear explodiu em sua cabeça (presumo). Não agüento mais aqueles imbecis fumando maconha na vila da PUC - sim, essa vila mesmo que você viu no Tropa de Elite -, ouvindo Chico Buarque e se achando intelectuais para cima (ou pra baixo, sei lá.) Ás vezes, acho que estou fazendo tudo errado. Em vez de trabalhar e estudar feito uma cabra para ser a melhor aluna da faculdade, eu deveria era ir pra praia. Viajar para Parati quando me desse na telha. Pegar a promoção da GOL de r$ 10 e ir pra Manaus. Ou pra puta que pariu. Dizer para a professora que minha mãe morreu. Viver, sabe? Não sei muito de que serve fazer matérias que o povo gosta e não ir pra Fernando de Noronha. Eu quero meu hype em viver. Porque, incrivelmente, dinheiro eu já tenho.

sábado, 22 de setembro de 2007

Toda nudez será castigada, Nelson Rodrigues.

HERCULANO (grave) - Uma pergunta. Você gosta de mim? Gostou de mim?

GENI (atônita) - Que palpite é esse?

HERCULANO - Geni, não é palpite. Quer responder?

GENI - Sujeito burro! (Mudando de tom trinca os dentes). Só de olhar você - e quando você aparece basta a sua presença - eu fico molhadinha!

HERCULANO (realmente chocado) - Oh, Geni! Por que é que você é tão direta, meu bem?

GENI (desesperada de desejo) - Vocês homens são bobos! Está pensando o que da mulher? A mulher pode ser séria, seja lá o que for. Mas tem sua tara por alguém. (Muda de tom) Olha as minhas mãos como estão geladas. Segura, vê. (Ofegante) Geladas!

HERCULANO (amargurado) - Amor não é isso!

GENI (furiosa) - Me diz então o que é o amor?

HERCULANO - Certas coisas, a mulher não diz, não deve dizer. Pode insinuar. Insinuar. Mas não deve dizer. Delicadeza é tudo na mulher.

GENI (na sua cólera contida) - Hoje tudo que é mulher diz puta que o pariu. Ah, de vez em quando, você me dá vontade, nem sei. Vontade de te quebrar a cara, palavra de honra. Desconfio que você gosta de apanhar. Há homens que gostam.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Jornalismo por um fio

Em Quase Famosos, o aspirante à jornalista William Miller é enviado pela Rolling Stone para cobrir a turnê da banda Stillwater. Durante as viagens, ele liga para seu editor resumindo o andamento da matéria. Tudo acontece pelo telefone – inclusive a sua contratação – e, por isso, quando a equipe da revista o vê pela primeira vez, um garoto de quinze anos com sua montanha de post-its, nos quais escreveu a reportagem, ele é demitido.
Este foi o exemplo encontrado por João Marcelo Erthal, 34 anos, solteiro e sem filhos, para ilustrar a sua rotina de trabalho: ele mora no Rio de Janeiro, e a revista Carta Capital, na qual é editor-repórter, fica em São Paulo. Não tem escritório. Sua conta de celular em agosto foi R$ 980. O telefone fixo: R$ 600. E isso porque ele ainda usa Skype.
A lembrança do filme não foi à toa: Erthal se diz frustrado porque nunca se dedicou à escrita de roteiros. Ele pensa por algum tempo e repete o desabafo feito por José Carlos Bardawil a Luciano Suassuna em sua entrevista-biografia: “Todo jornalista quer escrever. Quem diz que não está mentindo. Mas, o jornal consome todo o seu tempo”. E, apesar de ter saído do Jornal do Brasil – seu primeiro emprego e onde ficou dez anos -, ainda sente falta da redação de um jornal diário.
Falar destes dez anos não parece fácil para João Marcelo. Para falar do começo, sorri e arregaça as mangas, como se fosse falar de um velho conhecido: “Eu não sonhava em ser jornalista no JB. Fazia publicidade na Hélio Alonso e me apaixonei por uma menina que fazia jornalismo. Passei a gostar mais das aulas dela que das minhas. Na época da prova do estágio para o Jornal do Brasil, não pude fazer porque tinha sofrido um acidente de carro. Entrei depois, em uma dinâmica de grupo – e que ironia, me colocaram para trabalhar na Carro & Moto.” Mas, quando uma aluna pergunta o motivo de ter saído, pensa, gesticula muito e resume: “Estresse e falta de perspectiva”.
Durante o tempo que ficou no JB, era conhecido como o rei do trote. Ligava para os colegas como se fosse o chefe de redação, Ricardo Boechat (hoje, apresentador do "Jornal da Band", na TV Bandeirantes), e inventava pautas. Pedem para ele imitá-lo. Erthal fica vermelho, diz que não. Mas, acaba não resistindo. “Porque teve uma vez que – o Boechat fala assim, né? Apertando a orelha. Teve uma vez que a filha dele ligou, pedindo para ir à Teresópolis, e ele na redação, aquela pressão, segurando o telefone em uma mão e apertando a orelha com a outra. Não. Não. Não. Até que ele encheu o saco e disse, com aquela voz soturna do Boechat: ‘Só não seja estuprada’”.
Depois de sair de lá, enfrentou um dos pesadelos do carioca: mudar-se para São Paulo. O que mais gostava na cidade, diz, era ir para Congonhas e pegar o avião para o Rio. Lá, trabalhou na Celulóide, agência de conteúdo – uma empresa que procura formas de aproximação de uma marca com as pessoas, como a Revista Oi. Para ele, foi interessante ver o outro lado do jornal: o da publicidade: “Existe essa separação entre Igreja e Estado, jornalismo e publicidade, e na Celulóide pude entender melhor o processo: é muito dinheiro envolvido, os detalhes são enormes.”
Com a experiência de empresário de comunicação, nasceu o Av. Central: um jornal mensal e gratuito com matérias de cultura, que foi criado junto com os jornalistas Ulisses Mattos, Bruno Sansone e Carlos Braga. Apesar de não ter dado nenhum lucro, ele acha que o Avenida foi bem sucedido: teve uma independência editorial e financeira.
Erthal olha para os lados, esfrega as mãos – teria mais alguma coisa para dizer? “Vocês não vão conseguir escrever um perfil sobre mim só com isso. Tem que perguntar mais”, diz para a sala. Um aluno pergunta se há pressão na Carta Capital para escrever determinado tipo de matéria. Ele diz que não, que há total liberdade de pauta dentro da revista – mas, sempre seguindo a linha editorial da Carta: “Tudo vira conflito rico versus pobre, tudo tem que ter por trás o peso das oligarquias, ou seja, é uma liberdade vigiada”. Mas, João Marcelo, você apóia incondicionalmente o governo Lula, como faz sua revista? “Lula foi muito importante para o país. Mas, eu, classe média, estou perdendo muito com ele. No fim, eu acho que a imprensa deve ser clara”.
E se William Miller precisava procurar debaixo dos colchões as moedas para ligar para a redação, este não é o problema de Erthal: a Carta o reembolsa pelas suas contas de telefone.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Eu queria ser artista plástica. Queria saber pintar um quadro com todas as cores do seu rosto. Cada músculo que se mexe são novas cores surgindo e que formam novas formas e imagens - e elas vão se dissolvendo pelo quarto, se esfregando nas paredes - você se esfregou em mim, e agora tenho seu cheiro. Teu cheiro empesteado pela casa, pelo meu queixo, pelo meu sofá - teu cheiro guardado na minha blusa, que eu joguei ali na gaveta. Você sempre vai embora e deixa tudo bagunçado: a cama continua feita - esta tua mania perfeccionista de não tirar nada do lugar -, e ainda assim, tem alguma coisa diferente. Tudo está diferente. É o seu cheiro que impregnou as paredes pintadas de cinema da minha casa. Engraçado que a última vez que você veio não tinha o Antonioni ainda. E você parado ficou, olhando. Parecia que iria engolir o pôster de Blow-Up. Não sei pintar. Não sei falar. Milhares de coisas passavam pela minha cabeça, mas nada ficava: passou canção, passou show, passou programa, passou livro, passou fulano, passou amor, e nada ficou. Só escutei. Escutaria para o fim da vida. Não sei responder às suas perguntas. Sou burra. Fico burra. Esqueço de tudo. Minto que sei. Digo que esqueci. Só para te escutar mais um pouco - só mais um pouco, mas falta tão pouco para você ir.

E, no fim de tudo, eu volto a ficar sozinha. Me escondo nos cobertores que é para não sentir a sensação do seu cheiro indo embora aos poucos. Agarro-me aos pincéis que ainda não tenho para desenhar no meu ar, teu rosto e apenas ele. Com todas as cores. Com todas as formas.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

apenas uma quarta-feira.

Eu agora sou jornalista. De carteira assinada e as porra. E vendo uma palestra do Marcos Prado, o diretor de Estamira e sócio do José Padilha, cada vez mais eu me convenço que documentário é que me dá tesão. Construir personagens, mundos e estórias é um exercício prazeroso; muito mais prazeroso, porém, é descobrir as histórias que existem por aí, enterradas na puta que pariu, pedindo para serem contadas. As pessoas querem falar. O que elas mais querem é falar. Só basta alguém ter um mini-dv e paciência. O que eu tenho.

***

A Barra é o lugar do "muito". As pessoas são muito bronzeadas e muito loiras, é tudo muito caro ou muito barato (uma água na padaria custa r$ 3,50, mas o chopp na praia custa r$ 2,30), tem muito carro, venta-se muito, as academias de ginástica são muito grandes e os prédios são muito estranhos. A arquitetura do bairro é esquisitíssima: durante a praia, você pensa estar em uma cidade nordestina ao estilo de João Pessoa. Calçadas pequenas, arborizadas de 5 em 5m, barraquinhas na praia, com pedrinhas irritantes, e pessoas com cara de babaca passeando com seus bonézinhos. A Barra é nordestina e não sabe. A Barra veio de pau-de-arara e não sabe.

Tentando se distanciar da classuda Zona Sul, a Barra investiu em arquitetura moderna: nenhum prédio pode ser igual ao outro e muito menos igual a qualquer construção já imaginada por um ser humano dantes. O Hotel Sheraton, na minha visão do ônibus, me pareceu um bando de lata de sardinhas amontoadas no supermercado, cuja maior vontade é tirar uma e sair correndo para ver o resto desabar. Ao lado dele, se tem um condomínio não menos bizarro: uma coluna, chão, uma coluna. Seria um L? Um H? Um T? Um sinal alienígena? Nada. É moderno. É barrense.

***

Não sei o que esperar indo a Salvador. Sempre tenho medo de voltar lá; a sensação de que alguma merda vai cair sobre a minha cabeça, me soterrar e eu nunca mais sairei dali é grande.
Ás vezes, eu penso que sou um pouco Tieta, que volta para o sertão apenas para mostrar que é gostosa, que é fodona e termina odiada pela cidade inteira.

***

Renan Calheiros foi absolvido?
Não vou entrar no 'já sabia'. Nem no 'puta que pariu, esse país é uma merda'. É uma sensação de vodka barata. Só que constante.

***

Não sei amar.
A única coisa que aprendi.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

reflexões de feriado

Dr. Freud diz que quando a gente não libera nossas pulsões - não fode, não arruma a casa, não faz porra nenhuma - o ego encontra outra forma de liberar estas pulsões: se auto criticando, por exemplo. É um prazer para o ego você comer até explodir e depois ficar querendo se assassinar por ser uma baleia orca cujo estômago dilátavel acabou de engolir o restaurante inteiro.





Foda-se Dr. Freud.

domingo, 2 de setembro de 2007

quatro de setembro de dois mil e um.

-E a Beatriz, seu Paulo?

-Ah, essa era boa de comer. Gostava de trepar, sabe?

-Hum.

-Era uma cachorra. Chegava em casa, tirava a roupa e queria que eu comesse ela em todos os cantos da casa, era uma louca. Saía de casa como cabelo todo amassado, esmaranhado, os fios pra cima, e não tava nem aí. Continuava gostosa do mesmo jeito.

-Mas foi ela quem destruiu seu casamento, não foi?

-Ela destruiu minha vida, menino. Deixe eu te dizer uma coisa: nunca confie em mulher que gosta de pau. É a desgraça do homem. A gente tá acostumado a comer a mesma buceta de sempre, a senhora nossa esposa que deus escolheu pra gente - e de repente chega essa louca querendo gozar até dizer chega. Fiquei completamente enrabado por ela.

-Mas não tinha sentimento, seu Paulo? Era uma coisa só sexual?

-Claro que tinha. Mas o sentimento surgiu depois, menino. Nela, eu digo. Quer dizer, não sei.

-Mas, como assim, ela acabou com a sua vida?

-Fodeu, meu filho, fodeu a minha vida. Não fui mais o mesmo depois que eu conheci aquela mulher, aliás eu nem sei quem eu sou.

-Você tinha 35 anos quando a conheceu. E ela?

-16.

-O senhor não teve medo de ir preso?

-Por um tempo eu tive - e te digo que resisti por quase dois anos. Teve uma hora que não deu. Mas confesso que quando ela fez dezoito anos eu respirei aliviado.

-E como foi que a Beatriz surgiu na sua vida?

-Eu sempre gostei muito de música e tinha uma coleção de vinis que era conhecida no bairro. Os meninos sempre iam lá ouvir música enquanto eu tava na loja, ganhando meu pão de cada dia. Até que um dia ela apareceu. Nunca tinha visto na vida. Cheia de vergonha, com as bochechas vermelhas, segurando as mãos, querendo ouvir um vinil dos Chico Buarque. Achei até estranho, uma menina daquela idade querendo ouvir um vinil do Chico - mas você sabe como é, o velho tava na moda na época. Eu me peguei ali, olhando para aquele shortinho agarrado, preso, tentando me concentrar - mas não fiz nada, né, porra, tinha uma loja pra cuidar, a menina podia ser minha filha, minha mulher tava fazendo o jantar, caralho - eu pensava comigo mesmo.

domingo, 26 de agosto de 2007

babe,

me ajuda a sair dessa loucura, segura na minha mão que eu quero atingir o céu; tu não sabes como essa saudade louca dói aqui dentro e parece imobilizar tudo o que há de bom dentro de mim. me salva do tédio, me salva de mim, me traz morangos e eu te dou o vinho, vem aqui, vamos fugir, vamos esquecer de tudo, vamos deixar o jornal na porta, vamos largar o cartão do banco e trocar de nomes.

te amo, babe.

sempre.

sábado, 18 de agosto de 2007

não é que eu não tenha nada a dizer, mas meu computador quebrou, eu tenho aulas de psicanálise em teoria da comunicação II que estão surtando o meu pobre cérebro já quase derretido devido ao uso de subtâncias ilícitas e na sexta feira à noite eu vou para a praia de ipanema cantar chico buarque com o segundo membro de uma hipotética produtora de cinema que irá se chamar 64 Produções (por causa daquela música do beatles, sacoé?).

e agora eu tenho aulas de espanhol aos sábados.

e decidi ir para a àfrica ensinar inglês para crianças. e à índia para ensinar literatura. para crianças.

e continuo me apaixonando por qualquer um que me dê um mínimo de atenção. o que não é uma coisa tão estranha - segundo seu freud. é, né. o povo hoje em dia vive segundo seu orkut, eu vivo segundo seu freud e seu bergman. vai ver a estranha mora em laranjeiras.


então, só pra resumir: você pode me encontrar num bar, sentada no canto, comentando as notícias da folha, o velho-mas-ainda-novo livro do marçal aquino, e tentando convencer a pessoa da frente que hitchcock e bergman são os homens mais brilhantemente inteligentes que já passaram por aqui - estamos falando de cinema, não me venha com sete pedras.

até.

sábado, 28 de julho de 2007

transformers

E aí, néam, minha gente, que eu fui ver Transformers. Não foi escolha minha, diga-se de passagem, mas vamos lá. É um bom filme pra quem gosta de velha combinação: querem dominar o mundo + nerd apaixona-se por gostosa + metal tocando fundo no coração. E como tem o dedo do nosso querídissimo S. S., CLAAAAAAAARO que teria ali um alien. Alguém me explica a obsessão doentia do Spilberg por criaturas do outro mundo, jésus? E só baixa o nível: começou com Truffaut sendo coadjuvante e agora desce ladeira abaixo com robôs invadindo o mundo. Pô. É demais, sacoé?



Vamo combinar que o cara tava cagando e andando picas pro roteiro. Cada diálogo consegue ser pior que o outro até culminar no ápice da sofisticação lingüística: um robô vira para o outro:



-DO YOU WANT A PIECE OF ME?

-NO, I WANT TWO!



Sem falar que o filme vai e volta de diversos cenários e tu fica sem entender porra nenhuma de que merda tá acontecendo. Tudo que tu sabe é que o nerd quer comer a gostosa, que o governo dos EUA é uma merda e que tem uns soldados malucões de alguma droga super potente que tão alucicrazy no Oriente Médio. E se vira nos 30.



Roteiro? Pra quê roteiro, minha gente, quando se têm efeitos especiais?





Montagem? Vamos lá. Cena1: close no robô alucinando na cidade, um tal de MegaTron que tá jogando tudo pro alto porque quer dominar o Universo. Cena2: O outro robô, agora o bonzinho, que quer mandar MegaTron top top top responde ao Megatron. Cena3: Megatron fica com raiva e bota tudo pra foder. Só que, maluco! Você espera que quando dá close em alguém, fulano fique olhando pra câmera, e não para a paisagem, para os carros, para a bunda da gostosa ou pra bunda do soldado alucicrazy. E o tal do TronTron tá lá, filosofando sobre dominar o universo. E isso ainda acontece mais umas cinco vezes.



Montagem? Pra quê montagem, minha gente, quando se têm efeitos especiais?



E, óbvio e boróbvio, que como tem o dedo do grande S.S., tem que ter lição de moral a cada dez segundos. E tome: respeite sua família, não brigue com o nerd, ele pode ser legal!, vá atrás dos seus sonhos (a gostosa), não ache que a gostosa não tem conteúdo - ela tem um pai bandido e foi fichada para não deixar que ele fosse preso, MÉNINA, BAFÓÓÓÓÓN. E por aí segue. E, óbvio e boróbvio, que tinha que ter piadinha a cada dez segundos. Umas até engraçadinhas, tipo o robô mau arrancar as calças do nerd (eu não entendi como o robô mau mata todo mundo pela frente e quando chega no nerd ele só arranca as calças, mas tudo bééééém) e o gordinho hacker dando crise de consciência na DP. E ri também na seqüência inicial, do robô soltando diálogos à la Rambo um para o outro. Parecia uma boate gay. E, sério, cara, esse negócio de fazer malabarismo com a câmera tá out, meu bééém! Quer inovar, faz o seguinte. Anota aí, que a dica é quente, meu bem: troca esse metalzinho de merda e bota uma Beyoncé ou uma Pussy Cat Dools. Quero ver, ia ficar L-I-N-D-O, um must, os robôs lá, se duelando arduamente, trocando frases como: ONE SHALL LIVE AND ONE SHALL DIE e Beyoncé lá, bombando Crazy in Love. Ou coisa do tipo. Isso é vanguarda, meu bém. Porque filmar de cabeça pra baixo de cu é rola.

Enfim. Eu dormi no filme. E caguei de rir nas cenas em que os robôs faziam esforço em seus olhinhos de metal para chorar. E dormi de novo.


Mas, é isso, meu bem: se você caga pra roteiro, montagem e direção de arte (o rímel da gostosa não sai e não borra de maneira alguma, mesmo a guria dirigindo trator, pulando do precipício, rolando morro abaixo e apanhado do TronTron), não se incomoda de ver marca de carro/celular sendo propagandeada descaradamente a cada dez minutos, e curte robôs de 3m de altura se duelando numa cena que dura loooooooooooooooooooooooooooongos dezessete minutos, vai fundo, cara! Porque, afinal.. Quem se importa com picas de cinema quando se têm efeitos especiais, sacoé?

sexta-feira, 27 de julho de 2007

madrugada de sexta para sábado

T. diz:
eu REALMENTE ando me sentindo um caco


L. diz:
bate aqui. vamos fazer uma dupla de música sertaneja.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

A questão não é quem traiu quem, ou quando ou como. Pode até ser no início, aliás, pode parecer que é, no início, mas na verdade tudo termina no 'quem ama mais'. "Porque eu amo mais você", ele disse entornando mais um copo de cerveja. Como se esta afirmação pudesse o insentar de tudo. De todos os problemas. Porque ele mais que ela.

E como se mede esse amor, hein? Essa coisa que não se vê, que não se toca, e que cada um sente do seu jeito. Hein, garoto? Por presentes? Náh. Existe sexo por dinheiro, mas amor por dinheiro eu ainda não vi. Só ouvi falar, algumas lendas urbanas de mulheres que se casaram com senhores distintos da ráisoçáiti e depois se apaixonaram por eles. (Mas, na verdade, a partir do momento em que elas amam, o dinheiro não conta mais. Então, não não existe).

Por palavras? Quantas vezes por dia se fala 'eu te amo'? É assim? Vamos fazer então uma olimpíada de jogos amorosos. Quem conseguir enfiar a frasezinha mágica mais vezes durante um dia normal, ganha uma medalha. "Pode me passar o feijão-eu-te-amo? Eu-te-amo, quer o arroz?"

Palavras são vazias. (Que ironia, isso vindo de uma escritora...) Você pode me dizer um milhão de vezes que me amou mais durante todo esse tempo, e eu não vou acreditar. Vou continuar achando que é um escudo seu para não se ferir mais do já que está. Tudo bem, eu entendo - cada um se preserva do jeito que quer ou que pode. Mas...

Você diz que nunca terminaria comigo porque me ama mais do que eu. Eu terminei com você para preservar isso que ainda existe aqui e aí. Para não perder o respeito, para não quebrar pratos. Eu disse que acabou para o amor que eu sinto por você não escorrer pelo ralo. Pela sua alternativa, deveríamos ficar juntos até um matar o outro com um facão de cozinha.

E agora? Você ainda diz que me ama mais?

domingo, 22 de julho de 2007

e o que a gente faz com essa angústia tão grande presa no peito, me diz?

essa vontade louca de sair, de fazer algo com a vida - mas esperando que alguém bate na minha porta e me carregue pela mão?

eu nasci para viver sozinha.

mas acho que preciso aprender a lidar com a solidão.

saborosa sensação, sem ter medo de viver.

é isso. tudo que me falta é o 'sem ter medo de viver.'

e me sobra cigarro, me sobra saudade, me sobram músicas no itunes, me sobram nostalgias do que não vivi, do que não sei e do quero descobrir.

se eu ligar para minha mãe, dizendo 'mãe, estou me sentindo tão sozinha', ela vai responder: 'mas, minha filha, a vida é sozinha. você não sabia disso?' sabia, mãe. sempre soube. mas é que dói, sabe? ser sempre tão solitária. se eu ligar para meu pai, ele vai perguntar: 'mas você não tem amigos no rio'? e como faço para ele entender que colegas, sim, tenho vários, mas amigos, esses amigos de verdade, que me conhecem desnuda são tão raros e tão poucos, e estão distantes? ele acha que amigos se fazem assim. num piscar de olhos. num estalar de dedos.

estou sempre online no msn.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

amarga e irritada

claro que eu poderia fingir que não te conheço.

claaaaaaaaaaro que eu posso sair à francesa, me esconder debaixo dos lençóis e deixar tu-di-nho para lá, meu bem, que amanhã é sábado e eu tenho vários marlboros para serem fumados.
mas sabe o que é? te excitar me diverte.

to-dos os dias. porque no fim, tu és muito babaca para vir bater na porta da minha casa e me comer. e eu me divirto te torturando.

sacoé?

***

coisas para fazer em um fim de semana extremamente tedioso no qual todas as pessoas minimamente inteligentes que eu conheço nesta cidade viajaram:

a) fazer cadastro na locadora que tem nova promoção: 4 DVD's (podendo ser lançamento) por r$12. fim de semana com bunda de pão fatia + olhos inchados e vermelhos + cinzeirinho do lado. e vamos ser felizes.

b) limpar a casa e continuar com a vida fodida de amélia.

c) reler 'eu receberi as piores notícias dos seus lindos lábios'. porque a lavínia é um dos personagens mais bem escritos ever. o problema todo do livro é naquela história paralela da mineradora. não achou que colou. no fim, parece que foi mais uma coisa para 'ok, preciso arranjar um porquê do pastor ter morrido e não ter sido a lavínia'. ih, contei o final. tô amarga esses dias. foda-se.

***

a partir de terça tem festival de fotografia no cinema no CCBB. tipo, eu fico feliz desde o momento que eu pego o 422 para ir ao CCBB. eu tenho um orgasmo toda vez que eu entro no CCBB. e eles vão começar com Acossado, para depois Tudo Sobre Minha Mãe e depois Madame Satã. seguido de debate com o Carvalho. orgasmos múltiplos por uma semana, sacoé?

***

filme da semana: en la cama. porque é bem escrito, apesar de ser mal fotografado pra caralho. claro que o escritor puxa sardinha para o lado masculino e faz a mulher parecer como uma louca neurótica que nunca teve um relacionamento estável na vida e nem nunca terá, mas isso a gente supera, porque a personagem é bem feita. e a cena dela fazendo showzinho é maravilhosa. o bruno tornou-se meu sonho pessoal. close, close, close. eu gosto de close, e o diretor usou bem. não ficou asfixiante, que nem certas porcarias que eu vejo por aí. e, ponto! as cenas de sexo ficaram bem feitas. a mulher não saiu gritando feito porca no cio e nem a câmera saiu para focalizar o abajour.

***

ah, tédio.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Parece que falta alguma coisa, eu só não sei o que é.

Não é apenas eu, todas as pessoas que eu conheço estão se sentindo assim.

Parece que nós crescemos e viramos uma república de solitários. Uma anarquia de perdidos. Em que ninguém fala nada porque realmente não há o que se falar; ninguém sabe materializar o que falta. Falta carinho? Falta compania? Não sei. Ninguém sabe.

Ela diz que falta dar um rumo na vida. (E essa vida tem rumo? Tem bússola? Vende no mercado? Te faz chorar, mas é feito pra rir? Nunca entendi o significado da música dos Los, apesar de ter tido várias teorias alcóolicas sobre).

Uma outra se sente sozinha. O tempo inteiro. E não importa quantas picas ela arrume em uma semana, não preenche. Só servem para ficar de madrugada acordada no msn, esperando um sinal que não vem; afinal, a regra é não se comprometer e fingir que nada acontece, compensar essa solidão comprando cortinas novas para o banheiro.

Ele procura saber quem é. (Quem diabos vai conseguir descobrir quem é passando todas as madrugadas no computador conversando sobre os subjetivos diálogos invisíveis de donnie darko?) Se divide entre um jornalista frustrado e um potencial barman que fez voto de juramento para não beber às segundas feiras.

Eu penso em Invasões Bárbaras. Naquele grupo de amigos que passou por tudo e hoje vê que não é nada. Mas não que esse nada não seja completo - serve para cada um deles. Para Rémy, não. Vive a lamentar o passado, os vinhos, as mulheres, a música. Os sonhos. É preciso se libertar do passado, pois este chegou ao fim, é dito em uma determinada hora à Rémy. Eu não tenho passado algum. (Quem vai ter um passado de vinhos/música/mulheres aos 19 anos? Mas eu sinto uma nostalgia de algo. Como se eu não estivesse exatamente vivendo. Como se a vida passasse por mim, e eu estivesse num constante aceno, como uma mocinha de filme francês vendo o amado partir num barco no rio Sena).

Eu só tenho dezenove anos e um caminhão de nostalgias.

terça-feira, 10 de julho de 2007

- Você sabe que eu estou interessada em você, não sabe?

- Eu?

- É, você.

- Não.

- Eu só vim, hoje, por sua causa. Se você não estvesse aqui, hoje, no meu sofá, nada disso teria valido a pena.

- Por quê?

- Por quê eu amo você.

- ...

- Você sabe que o amor não pede de volta, não é?

- Como assim?

- O fato de eu te amar não significa que você tenha que amar de volta. Eu apenas te amo. E apenas isso.

(Luísa acende o cigarro)

- Eu sei que eu não sou a pessoa mais interessante que você já conheceu; gostaria de ter sido, mas ela veio antes de mim, sei lá, não sei o que te dizer, você veio procurando uma noite de sexo, como eu te prometi, e eu estou aqui, a te dizer coisas idiotas, que fazem perder o tesão, que te fazem me achar uma idiota romântica, não sei, o que você acha? Eu so gostaria de dizer que te amo por tudo, por tudo que você é, e pode se sentir, se achar narcisista, porque é, porque eu apenas quero te amar, não quero q vc me ame porque eu sou feia, sou defeituosa, sou horrosa. Não me ame, por favor, porque senão, eu sentirei pena de você me amar só porque eu te amo.

sábado, 7 de julho de 2007

Sobre FLIP e Paraty

"Paraty continua a mesma de 25 anos atrás. Isso me faz pensar no quanto eu mudei." Assim começou Alan Pauls, escritor argentino, tido por Roberto Bolaños como o melhor escritor argentino vivo, a sua palestra que eu não assisti até o final porque tive que sair correndo para pegar meu ônibus das 16h20. Tinha certeza que essa seria uma das mesas que eu mais iria gostar. E o gostinho de quero mais, muito mais, da Flip e de Paraty ficou na boca.

Cheguei em Paraty na sexta (o trabalho me impediu de chegar antes) às 8h. Ou seja: duas horas antes da mesa sobre liberdade de expressão & biografias, formadas pelo Paulo César de Araújo (aquele do livro proibido do Roberto, se é que alguém ainda tem dúvidas), Fernando Morais e Ruy Castro. O que fazer, então? Conhecer Paraty. O sol estava começando a aparecer - ainda estava fazendo um certo frio, suficiente para colocar o casaco - e eu fui, andando pela calçada de pedra, com as casas coloridas fechadas, sem rumo algum, fotografando, fotografando, fotografando. (Aproveitei que ainda não estava repleto de gente a cair pelas pedras escorregadias). A primeira impressão é a de estar em um universo paralelo - como se a guerra do alemão e todo a novela renan calheiros & congresso nacional não chegassem lá. Depois
de muito andar, cheguei ao porto, e meia hora fiquei sentada nas pedras, completamente absorvida por aquelas águas.

Quando dei por mim, já estava quase na hora da primeira mesa e saí correndo. Passei pela tenda da Flipinha, e os balões, estrelas e bonecos que compunham a decoração prenderam minha atenção por mais alguns minutos: ah, que cenário lúdico... Saí correndo para a Tenda da
Matriz (não, queridos, não consegui NENHUM ingresso para a Tenda dos Autores, e tive que assistir a tudo pelo telão.) 10h. Primeira mesa: "A Vida Como Ela Foi" - era uma das que mais queria ver, tanto por adorar os livros do Fernando e do Ruy quanto para ver o tão comentado
Paulo César. Primeira observação: o mediador era horrível. Serviu apenas como ilustração do palco, deixando-o completamente aberto para os três escritores de ego grande, bem grande. Não li o livro do Paulo - ele leu um trecho, porém - mas, devo dizer que em nenhum momento ele
discutur liberdade de expressão literária. Falou sobre, mencionou, mas na verdade, ele estava ali para se vender: é um verdadeiro show-man. Começava todas as frases com "eu". Por mais de três vezes disse que "já fazia parte da história nacional". Chorou falando da filha, a quem
dedicou o livro. Contou algumas histórias de sua vida, e lembrou mais três vezes que levou quinze anos para escrever o bendito livro. Conseguiu diversos aplausos da platéia, e muitas gargalhadas. Um verdadeiro show-man. Morais e Castro são arrogantes e ególatras,
exatamente como eu imaginava ser. Morais foi o mais embasado ao falar de liberdade de expressão (o que deveria ser o tema da mesa, certo?): explicou ao público os artigos da Constituição pelo qual está sendo processado, as suas incongruências e divergências. Tornou muito mais claro o delicado processo de escrever uma biografia, juridicamente falando. Obviamente contou suas histórias e levou muitos aplausos do público. Idem Ruy.

Nem para a mesa das 15h, nem para a das 19h consegui ingresso. O que eu realmente queria ver, toda a minha expectativa pertencia à mesa das 17h - Guillermo Arriaga e Davis Lehane. Mas, isso eu conto daqui a pouco.

Eu tinha um grande intervalo: de 12h até às 17h. O que fazer, então? Conhecer mais Paraty! Agora, com suas lojas abertas (aceita-se Visa em todos os lugares, sem exagero) e parecendo um formigueiro. Gente de todo o tipo: mulheres, homens, cariocas, paulistas, mineiros, cearenses, espanhóis, famosos, fotógrafos profissionais e amadores, jornalistas. Uma boa notícia sobre a cidade: ela é barata. Muito barata. Para alguém que, como eu, adora artesanato kitsch, à la
Almódovar, é o paraíso. Comprei diversas peças - muito bem trabalhadas, deva-se dizer, a preços muito baratos. Venho garimpando peças de todas as cidadas pelas quais passo, e para a minha surpresa, esta foi a mais barata. Pelo caminho, passei diversas vezes por um
saxofonista - e deus, como eu adoro sax - maravilhoso. Um harpista e um violonista também estavam lá, e o mais incrível era que as músicas não discordavam entre si. Formavam um conjunto único, uma sinfonia compassada de músicas diferentes. Fiquei me perguntando se todos os dias em Paraty eram assim (obviamente que não). Um paulista dono de livraria e sua amiga escritora e psicanalista tornaram-se meus companheiros duramte aquele intervalo e ela, freqüentadora de Paraty há trinta anos me contou algo interessante: diz-se que aquele
labirinto de pedras é daquele jeito pois, nos tempos da coleta do ouro os escravos que o escondiam tinham mais tempo de se esconder dos oficiais da coleta que os procuravam. Os portugueses se perdiam no labirinto e ficavam dando voltas e mais voltas - o escravo e seu
tesouro há muito já tinham partido.

Consegui um ingresso de graça para a mesa das 15hrs, na Matriz. O tema era "Terras", com Antônio Torres e Mia Couto. Não conhecia os dois escritores e fiquei maravilhada. O debate foi ótimo e o mediador era bom. Deixou o debate fluir e a interação entre os dois escritores realmente aconteceu; ao invés de simplesmente trocarem figurinhas, eles conversaram sobre a relevância da sua terra para a obra de um escritor.

17h. Estava ansiosa esperando pela mesa "Crimes e Castigos". Atendeu todas as minhas expectativas, e que delícia, as superou. Já conhecia o trabalho dos dois, e sou fascinada pelo Arriaga. Queria muito ouvir a sua teoria sobre a escrita no cinema. O mediador foi o melhor de
todos: Marçal Aquino, escritor paulista. Inteligente, conhecedor da obra dos dois e também um escritor policial - o que se mostrou uma ótima escolha por parte da organização da FLIP. Tanto Lehane quanto Arriaga vêm de origem violenta, escrevem sobre a violência no ser humano e suas conseqüências só que de eixos diferentes: Lehane é de Boston, e Guillermo, da Cidade do México. O debate foi fantástico; eles discutiram sobre como a sua origem e as marcas que ela deixou impregnam suas obras e sobre a visão, que eles acham deturpada, da violência hoje, presente, por exemplo nos filmes de Tarantino (fala de Lehane). Arriaga fez questão de frisar que um escrito para o cinema é também literatura, e o filme não pertence ao diretor - a discussão atual sobre o papel do roteiristmais a dentro da ind. cinematográfica pertence a ele e sua briga com o diretor Irriñatu. Contou que seus roteiros sempre são biográficos: o cachorro de Amores Perros é o seu, ele sofreu uma infeccção no coração e seu médico o avisou que ele
teria apenas uma noite, e quando criança, atirou, com o irmão, em um ônibus repleto de turistas. Para Lehane, não há diferença entre a escrita do livro ou do cinema: ele apenas escreve. Se isso irá virar filme ou não, é para ser pensado depois. Enfim. O debate foi maravilhoso. Eu encontrei muitos escritores passeando por Paraty, mas não encontrei o Arriaga, e como eu gostaria de tê-lo encontrado e feito mais uma bateria de perguntas que ocupavam minha mente, enquanto
ele falava... Uma pelo menos foi feita: no fim do debate, surgiu um bilhete da platéia: "Arriaga, por favor, acabe com a minha angústia: o que a japonesa escreveu para o policial naquele bilhete"? Risos da platéia. Suspense. Ele pega o microfone e anuncia que vai revelar o que estava escrito. Prendo a respiração. Ele, rindo, solta algumas frases em japonês. A platéia vai abaixo entre risos e aplausos.

Pego meu ônibus para Trindade (não consegui uma vaga em Paraty; incompetência minha, devia ter procurado mais - Milton, o meu companheiro paulista, havia chegado quarta-feira e imediatemente conseguiu um quarto, até mais barato que o meu). A estrada é, no adjetivo mais simples que consigo encontrar agora, perigosa. Sem iluminação alguma, com espaço apenas para um carro e repleta de curvas. Morta de cansaço, tudo o que eu queria era cama e comida. Abdiquei da comida e apenas dormi, dormi, dormi. No dia seguinte, a surpresa: Trindade é bela. Muito bela. Na hora veio à cabeça: Capão, na Chapada Diamantina: uma pequena vila, de ruas estreitas e cercada por mata atlântica. Para minha surpresa maior não são apenas (oh,
apenas...) cachoeiras e florestas: HÁ PRAIA EM TRINDADE. Não satisfeita com tudo aquilo, ela ainda guarda uma praia paradisíaca. Não houve tempo para aproveitá-la a não ser pela janela do ônibus para Paraty: já estava na hora da mesa de 10hrs, uma análise da obra do
Nélson por Arnaldo Jabor, Leyla Perrone-Moysés e Nuno Ramos.

Sempre fui da opinião que Jabor nunca deveria ter migrado do cinema para o seu jornalismo de achismos e opiniões terrivelmente chatas e intelectualóides. Mas, fui de curiosidade - afinal, sempre se quer saber o que Jabor vai falar dessa vez. Ele não pôde ir, devido ao nascimento de seu neto (a escritora/psicanilista paulista me disse que na flip do ano passado ele foi vaiado e picharam frases não muito agradáveis nos muros de Paraty, e ela achava que por isso ele não foi. Discordo. Jabor tem o ego grande, grandíssimo, e gosta de ser odiado: os intelectuais não são compreendidos). No seu lugar, Nelson Motta. O mediador foi razoável. Seguiu-se o esquema de cada um dar a sua opinião e ponto final (Jabor gravou um extenso depoimento sobre sua
ligação com Nelson e suas análises da obra). Não gostei. Opinião por opinião eu leio em revistas de crítica literária; eu queria ver o debate, as diferentes visões discutidas e convergidas, ou não. cada um deu seu ponto de vista e fim. Leyla é crítica literária da USP e fez um interessante monólogo sobre a análise lingüística do discurso de Nélson tanto das crônicas, quanto dos folhetins e das peças. O Nuno é um artista plástico aparentemente incensado - o que um artista
plástico tem a dizer sobre Nélson nem ele mesmo sabe, mas tudo bem - e enrolou, enrolou para no fim dizer que discordava de Jabor. E Nelson é sempre Nelson. Sempre simpático, sempre um bom contador de história, discordando sutilmente de Jabor ao mesmo tempo em que relembrava histórias de sua adolescência e de seu convívio com Nelson. (Interessante foi, depois, passeando pela Rua da Matriz encontrar com Motta sentado em um degrau da escadaria da Igreja falando no celular sobre o debate. Não resisti, andei mais alguns metros, virei à
esquerda e abri a orelha para ouvir o que ele falava).

11h45: "Por trás do balcão": Silviano Santiago e César Aira, discutindo sobre a transição e as fronteiras entre o ensaísta e o literato. Conhecia "Em Liberdade", de Santiago, mas não conhecia Aira. Foi dele a frase mais famosa, até agora, da FLIP: ao ser perguntado se o realismo mágico está enterrado, respondeu: "Me parece que este termo foi inventado por Alejandro alguma coisa - não gravei o nome, me desculpem - que, me parece, queria rotular seus livros medíocres. Acho
que... este termo pertence... Quem melhor escreveu realismo foi Gabriel Garcia Márquez, que nos seus livros deste tema se mostrou ainda mais medíocre". Silêncio da platéia. O homem realmente acabou de dizer que Cem Anos de Solidão é medíocre? Ninguém da platéia se
manifestou. O mediador cai em riso. A frase que mais me chamou a atenção, porém, partiu da boca de Silviano ao dizer que tem dedico seu tempo mais às artes plásticas que ao estudo literário: "Eu sou um homem um pouco mais velho que o meu companheiro de mesa - tenho 70
anos. Nessa idade, o tesão que vem de outro lugar vai para os olhos." E seguiu-se assim: cada qual contando sua experiência sobre ensaísta e escritor e falando sobre a transição. Os dois concordaram que são escritores que não cabem em gêneros, e isso é uma brincadeira gostosa,
pois desse jeito, não há rótulos (observação de Silviano). O mediador foi um caso à parte: ao invés de aprofundar a observação de Aira, começou a rir; desconhecia a obra dos dois escritores - o que provocou uma leve ironia do mesmo Aira ao responder uma pergunta e um momento
constragedor com Santiago. Para os que não conhecem o escritor, estava escrito na programação da FLIP, na sua biografia, que ele era um profundo conhecedor da literatura da América Latina e já produziu diversos ensaios sobre o tema. O mediador pergunta: Silviano, aproveitando que o nosso companheiro de mesa é argentino, o que você acha da literatura da América Latina? Dispensável.

Ás 15h, veio a mesa "Perdoa-me por me Traíres", de Alan Pauls e Maria Rita Kehl, aquela do início de texto, que não consegui ver até o fim - apenas vi a apresentação de Pauls e a leitura do cap. 3 de seu livro "O Passado" (antes disso foi exibido trechos da adaptação fílmica do livro realizada por Babenco). Gostei do que ouvi e pretendo comprar o livro e ver o filme. (Uma observação: ouvi a leitura de Pauls em espanhol, pelo headset - o único que funcionou comigo; tentei usar o head set em outras mesas e estava falhando. Acho que dei azar, mas de qualquer forma, ponto negativo para a organização do evento. TODOS deveriam estar funcionando.)

Saldo da FLIP: Positivo. Talvez seja a impressão de uma virgem no Festival, mas gostei do vi, do que ouvi e aprendi muito. No fim das contas, muito mais do que esbarrar com celebridades, comprar artesanato kitsch e andar pelas ruas de pedra de Paraty, o que importa não é aprender? Pelo menos, para mim, isto é o que importava. E eu aproveitei cada momento.

terça-feira, 3 de julho de 2007

eu me sinto mais sozinha que a charlotte porque moro em uma cidade que fala a minha língua e não consigo encontrar ninguém que me entenda.


só, completamente só, and i just want to be found.


while, eu ouço nina simone e fumo. fumo. fumo.
-Cara, essa cidade é muito SURTADA. Tipo, eu saindo da rodoviária, sabe, sambódromo, rio comprido, catumbi, túnel santa bárbara, laranjeiras - é um mar de favelas, cara, ao pé do Cristo. Um mar de favelas. Você anda em cima dos trilhos do trem e embaixo tem um cara cheirando cola, e do outro um senhor jogado na rua, ligando pra nada, pra porra do ônibus que passa de ar-condicionado - e tu vai subindo, subindo, passando por aquelas lojas de tecido barato, de 'fazemos móveis em madeira' e aquela miséria, aquela desgraça, sabe? toda ali, na sua frente, e você de ar - condicionado, passando por tudo, de carro amarelinho, 126, passando pelo mar de favelas e de repente um TÚNEL, cara, uma porra de um TÚNEL aparece e te separa de tudo, da pobre, da desgraça, das favelas e você tá num bairro de idosos que andam vagarosamente em meio a casas coloridas, e pronto! Uma merda de um túnel separa toda a desgraça do mundo do bairro onde velhinhos andam às cinco da tarde, praticando sua habitual caminhada por entre as casas coloridas de laranjeiras, é isso é bizarro, cara, bizarro, isso não entra na minha cabeça, saca? Não entra como essas coisas podem conviver e quase uma anular a outra, quer dizer, elas se anulam, porque elas não existe dentre, existem entre, separadas, sabe? Sei lá, cara. Só sei que esse mundo é louco, surtado, despirocado, e cada vez mais eu entendo coisa menos.

-Mas, é assim mesmo. Você não sabia?

domingo, 24 de junho de 2007

eu como um pão salpicado de lágrimas e misturado à fumaça do cigarro porque tudo que consigo pensar é ter dispersado uma chance de vida com você.

nouvelle vague toca alto, toca na árvore que dança na minha janela. toca no vento que derrubou meu porta retrato.

não resisti, e tive que dizer que te amava. foi fraqueza, eu sei, me desculpe pela minha cruel honestidade. se eu tivesse um vinho, beberia, mas não há nada, só o pão salpicado de lágrimas. e o cigarro. por isso, eu fumo e como e ouço as mesmas notas musicais e a mesma voz sussurrante querendo que fosse eu a estar sussurrando em seu ouvido, delicadamente.

eu sou obrigada a dizer que te amo através de uma mensagem de celular. porque o homem inventou a distância e eu sou muito indelicada para continuar fingindo que nada aconteceu. que um dia passou após o outro. que minhas noites não são vazias - e tornar-se-ão cada vez mais, a partir de agora.

meus amigos dizem que eu fui muito paciente - mas, não é isso para o que amigos servem, anyway? para abrandar o choro. para dizer que sim, você está certa, querida, sim, fume seus cigarros desesperadamente porque a vida continua e abra uma garrafa de vinho, ouça um jazz desesperado.

está frio. as folhas continuam a balançar, e... nada. não adianta. a cortina da janela em frente está fechada.

por quê tudo é tão difícil? por quê não há um roteiro certo e disciplinado que eu continuaria a seguir, indefinidamente até o ponto final - um happy end perfeito, como os filmes me ensinaram que seria.

os novos amigos dizem que eu sou piadista. procuro alguma piada pronta para falar, e as palavras quem saem dessa boca esfumaçada são tristes e rancorosas.

eu não quero te esperar pela vida toda. mentira. quero, sim. mas, não sou tão auto-destrutiva assim. ou, pelo menos, não quero ser. eu tenho que ser racional. é uma merda, mas eu tenho que ser.

a cada dia me sinto mais inadequada e perdida nesse mundo tão cheio de sussurros e música e fumaça.

sábado, 23 de junho de 2007

Eu quero coisas demais e quero tudo ao mesmo tempo, que é para me divertir fazendo bolhas de sabão enquanto o vento passa e você vem.


Ouço Miles Davis e poderia dizer, com todo o clichê que me é permitido, que me arrepio. Todo o braço. Os dedos vão se movimentando no ar, tentando alcançar as notas musicais. Tento ser mais que dedos.


O relógio não é meu melhor amigo; já deveria ter tomado banho e arrumado os cabelos e pintado a boca. Se houvesse alguém na janela em frente, seria uma interessante exercício voeyerístico: ver um corpo suave ao som do jazz. Mas, não há: está em construção.


Sábado nublado. Café, cama e cigarro. Café, cinema e cigarro.


Jazz.


Você.


Meus dedos.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Renata entrou na sala onde o furtado ia dar uma palestra, e ele estava lá, esperando. Nas coisas técnicas, você sempre chega adiantado. Nas suas palestras, nas suas aulas - aquela vez você saiu daqui de casa às cinco e quarenta e cinco para uma aula às sete. E sempre, sempre, porra! nas visitas que você me fez, o relógio era a minha única compania. caralho. Odeio relógios, eles são companheiros dos cigarros. E você estava lá, displicentemente brincando com seu marlboro light - homem que é homem não fuma cigarro de filtro branco - olhando para a tela branca. Mal me viu, de saia bem cortada e dentes escovados. - Vou me sentar ao seu lado, posso? Acho que você fingiu um sorriso. Ela, com sua roupa de trabalho, montada e encaixotada dentro de tecidos fingindo algo, tentando imprimir uma significação a panos tãos vazios quanto ele. Danilo, com a mesma blusa de sempre - seu jeito de parecer diferente é estar sempre igual - a mesma porra da blusa branca com a pica de uma bermuda musgo. Eu saí para um cigarro, implorando aos filmes de holywood que realmente acontecessem, que os holofotes invisíveis estivessem virados para mim, pois logo após, em primeiro plano, você viria, acendendo seu marlboro light. Óbvio que você veio, mas atrasado, no meio do meu cigarro. - Olha, aquela tua fita de kids emperrou no meu videocassete, tá? Eu queria que tu fosse mulher. Queria poder te agarrar sem medo da tua reação - uma mulher nunca recusa um beijo. Tenho medo que vires a cara e dê outra tragada em seu cigarro de filtro branco enquanto aquela música de pastelão mal sucedido toca nos altos falantes. Se tu fosses mulher, acenderia teu cigarro e te chamaria epara tomar um vinho, mas tu és Danilo, inatingível entre estúpidas baforadas de cigarro light e coisas abstratas sobre fitas presas no videocassete. que tu queres, afinal, caralho? Quer que eu segure teu braço, diga que quero que você me coma logo ali, no banheiro, e depois, quem sabe, a gente divida uma garrafa de vinho tinto? Não vou. Não vou porque você não gosta do Bowie, não vou porque você acha friends ridículo, não vou porque se eu fizer isso, você vai perder o respeito de macho da espécie para com a fêmea, e eu vou me transformar em puta, em flesh. Não me importo de ser apenas flesh, mas você se importaria em eu ser apenas puta. A minha única saída é apagar o cigarro já apagado, fumar o resto do filtro, recompor a pose, girar os holofotes e sair do plano. E esperar, pacientemente, pela palestra do furtado, do seu lado. como se não o fosse.

sábado, 9 de junho de 2007

eu só queria que você estivesse aqui para me salvar desse tédio. eu bebo cerveja sozinha e como biscoito integral esperando o jamie oliver entrar na tevê e eu babar vendo suas receitas. eu quero mais do que ouvir a sua voz, eu quero te sentir meu, entende? e não é que 'vá ficar melhor' resolva. não resolve. não resolve saber que dentro de dois meses você vai estar aqui. porque eu te quero agora. para matar meu tédio, minha sede, minha vontade, meu tesão. para esvaziar meu copo, desligar a tevê e as luzes, e fechar as janelas. quero acordar do seu lado e não ter que dizer adeus de madrugada, enquanto um maldito carro amarelo te leva embora de mim, de mim! não sei quantas noites eu chorei e quantos dias eu fiquei de mal humor, péssimo humor, depois que você foi embora. e você foi embora. não há eufemismos. em parte, a culpa foi minha. eu tinha que ter agarrado seu paletó sujo da festa de ontem, trancado a porta e engolido a chave, e nunca mais você iria embora, e nunca mais eu choraria e nunca mais eu iria querer almaldiçoar a humanidade por estar sozinha. e você não volta. os dias passam, as tardes, os dias, as noites, os domingos e todas as sextas-feiras, e você não volta. me acostumei a dormir no sofá, pois a cama parece muito vazia. nunca mais comi pizza. e você não volta.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

só para constar que eu estudo cinema:

fernando meirelles, cláudio assis e karim äinouz são tudo que eu quero ser na direção.

o cheiro do ralo não é uma obra prima. não mesmo.

não por acaso mostra uma são paulo do jeito que ela é: suja, confusa e cinza. e não naqueles tons de verde publicitários-pop do heitor dhalia. parece propaganda da mtv.

(mas, eu sou tarada pelos curtas do philippe barcinski). à exceção da trilha sonora, que em alguns momentos me fez esconder a cabeça de vergonha (e em outros foi correta), o filme é bom. bem dirigido. bem estruturado. andaram dizendo por aí que o roteiro é meio capenga, principalmente na seqüência final, onde os dois se juntam, mas não se juntam. gente, coé? tá pensando que o cara vai copiar o arriaga? deixa ele fazer do jeito dele. muito melhor que babel.

não achei a atriz que faz a namoradinha do santoro espetacular. a mariah, de baixio da bestas, continua sendo minha revelação-mór do ano. e o santoro continua me surpreendendo. se alguém que ler essas mal traçadas linhas for ver não por acaso, reparem no tom de voz do garoto: como é sutil e como muda. perfeito.

***

enfim.

o semestre vai acabar em uma semana.

o que eu aprendi na puc em 4 meses?

hummmm.

hummmmmmm.

a) para quem gosta de queijo: o melhor croissant de cinco queijos é vendido na barraca das tias, portão principal da puc.

b) toda quinta-feira rola sambinha-orgia-todo-mundo-bêbado no planetário da gávea.

c) 'se você quiser vencer na vida, tenha muitos contatos' - mantra espiritual repetido por 9 entre 10 professores.

d) se você quer fazer cinema, trate de lidar com burocracia, má vontade das pessoas, tripés que emperram, e irresponsabilidade alheia. e muita, muita, muita criatividade.

e) aprendi a ser mais zen e a estar de bem com a vida.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

para marina, with all my love.

faz frio aqui. muito frio. tudo que eu penso é fumar, fumar, fumar e escrever, escrever, escrever. não sei se te contei que estou escrevendo um livro há dois anos - infelizmente, não há bezendrina no brasil para eu terminá-lo em 36 horas, hahaha - e é difícil escrevê-lo, porque dói. porque eu só consigo escrever e ser verdadeira. e ser verdadeira dói. então, eu geralmente escrevo uma, duas páginas e fico duas semanas sem escrever, apenas digerindo tudo aquilo que eu pus no papel. e depois, aquela sede enorme de escrever tudo sobre o mundo vem- e eu fumo, fumo, fumo e escrevo, escrevo, escrevo. hoje foi um desses dias, onde eu perfeitamente ficaria escrevendo durante toda a madrugada - eu tenho hábitos estranhos ao escrever, como apenas conseguir escrever bem de caneta azul, fumando, e de madrugada - mas eu tenho que trabalhar e ir à faculdade, lavanderia, pagar contas. é foda. a vida impede a minha vida. hehe

mas, voltando a assuntos normais.

eu conversei com uma amiga minha esse sábado sobre o quanto eu me sinto inadequada. que, na verdade, sou uma pessoa sem identidade, sem idade e sem cidade. explico: não gosto da minha família, nem da família dos outros. aliás, eu não gosto de todo o conceito de família.não gosto de religiões. não faço parte de nenhuma ong. logo, não tenho nenhuma identidade, algo que eu possa me agarrar e dizer: ESTA SOU EU! não tenho idade, porque na maior do tempo eu me irrito com as pessoas da minha idade, mas não consigo alcançar as pessoas mais velhas. é como se eu fosse dez ou quinze ou vinte anos mais velha. o problema é:eu não sou. não tenho as experiência de alguém todo esse tempo mais velho, então, não adianta muita coisa e eu fico perdida na linha do trem. e sem cidade... bom, não precisa de muita explicação, certo?

concordo contigo inteiramente sobre a parte das 'tenho alergia a risinhos no corredor e idas coletivas ao banheiro. conversas sobre"quem-tá-pegando-quem" e "a-boate-nova-super-bombando". sou só eu, ouv ocê também se incomoda em ficar vinte minutos em pé, olhando outro ser humano mijar enquanto está falando sobre o garoto da mesa ao lado?eu acho que falar não combina com funções orgânicas.

(e ainda acho que nós não estamos erradas em ter vivido 'mais cedo'. a vida é muito curta, tem muito mundo no mundo, e eu quero ver TUDO. logo. para saber o que eu gosto e o que eu não gosto. imagina só. logicamente. o brasileiro médio vive entre 70 e 80 anos, certo? e o brasileiro médio não tem dinheiro para comprar todos esses cremes ultra-rejuvenescedores. logo, a partir dos 60 ele não está mais com tanto pique para dar a volta ao mundo. esse povo começa a 'viver' com19. são 4 anos de faculdade. depois, você tem que trabalhar, casar, dar de comer pro seu filho, que tempo você vai ter para REALMENTE VIVER? não entendo. juro. eu não entendo as pessoas)

eu queria ir um dia ao subúrbio. haha. juro. eu gosto de subúrbios. eu gosto da zona norte, aqui no rio. eu fico espantada como as meninas da minha faculdade não conhecem o centro, a LAPA, a boemia reunida em um bairro! e o centro tem coisas surreais. maravilhosas. quando você vier aqui, eu tenho que te levar lá. numa mesma rua, há um super hiper megateatro francês PORNÔ -que não aceita meia, by the way - construído no estilo do moulin rouge, um bar alemão, cujo dono era nazista, uma boate dentro de um casarão decrépito onde só toca rock e as pessoas fazem verdadeiras orgias, um casarão que só toca samba e as pessoas dançam como nos anos 30... cara, é SURREAL. e ninguém conhece isso. você está completamente certa. as pessoas vivem em seus mundinhos, e dizem por aí que esperam que algo aconteça com suas vidas. pura mentira. elas querem continuar na mesma vida, apenas trocam a cor da sombra, ou a marca do carro.

venha para cá, venha para cá, venha para cá.

eu conheci um americano muito doido esses dias. e conversando sobre álcool e seres humanos, ele disse que nos estados unidos, as pessoas são MUITO frias, mas que nos bares, elas se liberam de-mais. e como são todos 24hrs, é muito comum você entrar lá 2h da manhã e ter uma mulher fazendo strip. ou um homem. ou o dono do bar. e todo mundo te abraça, e te paga cerveja. o mundo seria um lugar melhor se todos os bares fossem assim. hahaha

eu odeio muita coisa também, se te serve de consolo.

mas, eu ainda tenho esperança.

é o que me faz acordar todos os dias e ir prum emprego no qual eu mando e-mail pra juliana paes dizendo que saiu matéria dela na VOGUE, falando da festa do Mario Testino (que foi uma orgia chic, by the way). E tenho que elogiar o vestido, quando na verdade, achei horroroso.

stay well.

with love.

L.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

4h33

4h33. O telefone toca. Aquela música dos beatles parece agora mais estridente e irritante do que nunca. Olho no visor: P.Cel.

-Você é feliz?

Claro que sou feliz. Às quatro e meia da manhã todo mundo é feliz. Mas, eu não poderia responder isso senão ele ficaria desconfiado. Simulei um "não, não estava dormindo, não se preocupe seguido por "também estou com muitas saudades." Tento emendar um "como vai a casa nova?", mas ele é insistente:

-Você é feliz?

Sou, Pan. (Claro que sou, tenho que ser. Não abandonei a casa de papai e mamãe, o discreto charme do biscoito recheado, para desistir no meio do caminho porque não sou feliz). Sim, eu sou feliz.

-Mas, você é feliz mesmo?

Como explicar a ele, bêbada de sono, que, para mim, a felicidade de cinema,de estourar rolhas de champagne, é ocasional e não constante (rotina não é sinônimo de felicidade, definitivamente); porém, eu estou bem por saber que no lugar onde estou, terei boas oportunidades de ser realmente feliz? Como dizer isso sem ele pensar que eu esteja tentando mascarar algum tipo de melancolia?

(Digo que estou trabalhando, e que isso é bom, ocupa a mente, produz dinheiro. E que com esse dinheiro, vou viajar, conhecer o mundo, comprar livros e filmes, reformar a casa - momentos de felicidade).

(Não digo que estou com saudade dele e dos outros, saudade da facilidade de viver, onde tudo era servido em bandejas de prata e mamãe me levava ao colégio, no caminho assobiava beatles. Não vou dizer isso, senão ele vai pensar que não estou feliz, o que não é o caso; ou apenas, como qualquer outra garota que já foi mimada, sinto falta do tempo em que todos passavam a mão em minha cabeça.)

(Não sei se conto para ele das minhas colegas de faculdade. Ele, provavelmente, iria rir e dizer que os tolos existem aos montes, por aí. Não é o caso de me preocupar com eles).

Ele pergunta:

-Você está feliz?

Eu respondo:

-Sim, muito feliz.
E você? Está feliz?

-Muito. Muito feliz.
minha bíblia.
(primeira edição brasileira.
mamãe já sabia que sua filha seria cineasta.)

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Quando eu tinha quinze anos - ou treze, não me recordo bem, a esposa do meu pai me disse que eu não teria muitos amigos na minha vida devido a minha inteligência. E que meus amigos seriam fiéis, e de longa data, pois eles também teriam poucos amigos devido as suas respectivas inteligências. Na época, eu estava em uma fase popzinha da vida, e acenei com um 'uhum'. Hoje, eu vejo que as mulheres de peixe conhecem a humanidade. Pessoas burras me irritam. Antigamente, eu tinha paciência com pessoas ignorantes; esvaziou-se o saco. As pessoas da PUC, por exemplo. As pessoas que me conhecem geralmente me acham mais velha, e sempre dizem: 'não é o seu rosto ou o seu corpo, mas o seu jeito e modo de falar que demonstram uma maturidade maior do que dezenove anos'. Sempre convivi com pessoas mais velhas, e na respectiva universidade, eu convivo com meninas que vão dos dezoito aos vinte e dois. Parece pouco. Mas, não é. E, ainda tem esse fato: eu convivo com meninas. My whole life, i've been with boys. Eu falo como homem. Eu penso muitas vezes como homem. Eu ajo muitas vezes como homem. Eu gosto da compania de homens - eu me acostumei a viver entre homens. E agora estou aqui, perdida entre mulheres, que fazem picuinha por tudo e por todos.

-Você gosta de Velvet Undeground?

-Hum?

- Velvet Underground, Lou Reed, Nico.

-Olha bem pra minha cara. Você acha que eu gosto do quê? Hip hop e funk? Acertou.

Jesus amado, onde vocês passaram os últimos dezoito anos, criaturas? Enfurnadas em casa, vendo Tv Globinho - ou qualquer merda que passe na tevê, pois há muito eu perdi esse tenebroso hábito, e Malhação e saindo aos sábados para as bôátchis da moda? Sem ler um livro, sem ver um filme, sem escutar música que preste? Honestamente, se fosse qualquer outra profissão que vocês quisessem, tipo engenharia - pra quê conhecer Velvet Undeground quando se é engenheiro, não é mesmo, minha gente? - mas vocês fazem comunicação, porra! É dever de vocês ao menos saber quem foi Clarice Lispector, Beatles, Andy Warhol, Umberto Eco, Fellini, Kubrick, Truman Capote, Bob Woodward e Carl Berstein, Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix, Coco Chanel, Assis Chateaubrind, Samuel Wainer - ah, chega, cansei. Nessas horas, eu me lembro da Ufba. Não do curso, obviamente, porque eu quero mais é que aquela porra afunde cada vez mais na lama que é, mas das pessoas que o freqüentavam. Quando eu conheci a Bia, e ela me contou que morou dois anos em Londres, e de toda a sua experiência e das loucuras que a Inglaterra era feita, eu sentia uma inveja. Inveja boa, sabe? Gostava de tomar uma cerveja com ela e ouvi-la falando sobre tudo, sobre as loucura de ter partido de casa, vendido o carro para experimentar algo novo. Ela era dois anos mais velha que eu, e já tinha vivido tanto. Eu me achava tão... pequena. Dona Fernanda, com seus três anos a mais que eu, também nunca tinha ido a lugar nenhum, mas amava - e ama - tanto aquela terra e os seus costumes e as suas crenças que eu tinha uma inveja tão grande: queria eu poder amar daquele jeito o meu lugar de origem, queria eu acreditar tanto em uma coisa e pôr tanta força que a minha vida depende daquilo, queria eu ter a força de PC... E Zon, minha linda mistura de francesa com mineiro que deu no que deu: hoje ela passeia pelo mundo, já esteve em Paris, e agora está em Barcelona, sempre feliz, sempre curtindo, sempre leve, toda a sua vida é um passeio. Como eu sinto saudade delas. Cada uma de nós tinha uma força que nos movia - a minha, no caso, era sair de lá a qualquer custo - e independente das diferenças internas, éramos uma quadrilha inteligente. Articulada. Movida a cerveja.


L.diz:
eu tava discutindo com a mesma menina do hip hop sábado. ela queria que eu fosse a um churrasco na BARRA DA TIJUCA e faltasse ao meu trabalho.

L. diz:
eu disse que não, que meu trabalho era mais importante que qualquer merda de churrasco que inventassem, ainda mais que eu não como carne e nem conheço o dono da casa.

.juliana. diz:
e queria te fuder no cu tb

L. diz:
e ela: ahhh, mas vc só tem 19 anos.
e eu: e eu aproveitei bastante os meus dezenove. minha forma de diversão agora é trabalhar, juntar dinheiro e viajar o mundo, comprar livros, filmes e uma câmera 35mm. valeu?

domingo, 27 de maio de 2007

eu tenho dezenove anos, hoje é o último domingo de maio, dia 27, e em vez de estar lendo uma matéria de oito páginas da vanity fair sobre os ataques do pcc a são paulo, no ano passado, eu estou saboreando uma stella artois - sozinha - e ouvindo velvet underground bem alto e gritando: held held high!

que vergonha para a nação.

que vergonha para papai e mamãe.

(daqui a pouco eu vou comprar um pastel de queijo, se criar coragem. beber de barriga vazia é ruim.)

sejamos coerentes: eu trabalho, eu estudo, eu faço filme, eu escrevo resenha crítica sobre filme dinamarquês e que toma toda a minha manhã de sábado. nada mais justo que eu passe o domingo ao lado da stella artois vendo back to the future 1, 2 e 3.

nada mais justo.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

já no msn...

L. diz: tô discutindo garden state com uma amiga minha

L. diz: lembrei de tu

juliana diz: ah cara

juliana diz: esse filme é coração

juliana diz: comprei o dvd

L. diz: foi?

L. diz: eu NUNCA vi pra vender

L. diz: eu vi ghost world aqui, vendendo tal água

L. diz: mas garden state...

L. diz: a gente tava discutindo a questão do quero-alguém-que-saia-do-vôo-por-mim

L. diz: e eu disse que o problema é que a gente aprendeu a amar vendo filme, e que a vida real é completamente diferente

L. diz: e ela disse que o que mais a deprime é o cara do velcro silencioso. que tem aquela fortuna e não sabe como gastá-la.

L. diz: e agora eu fiquei na dúvida sobre o que me deixa mais bolada.

juliana diz: o que me deixa bolada é saber que ninguém nunca vai mudar minha vida em três dias

L. diz: eu não acho que a gente, pessoas normais, do mundo real, algum dia> na vida, vá encontrar alguém que a mude em três dias.

juliana diz: se não dá pra ter então eu não quero que mostrem no filme

L. diz: mas o filme é ilusão...

L. diz: que a gente quer, muito, muito que seja verdade

L. diz: mas, hoje, eu creio piamente que meu marido não vai dormir na porta da minha casa pra me reconquistar, estilo last kiss.

L. diz: as pessoas, na vida real, simplesmente _não_ fazem isso.

juliana diz: ah cara, meu pai deixou de trabalhar 3 dias porque minha mãe disse que assim que ele saísse de casa, ela fugia.

juliana diz: ele ligou pro quartel dizendo que tava doente

juliana diz: hahahaha e sabe por quê ela queria fugir?

juliana diz: porque ele obrigou ela a matar baratas e perder o medo

juliana diz: HAHAHAHAHAHAHA
Eu tenho sede, muita sede.

Eu sinto saudade, muita saudade.

Tenho sede do mundo. sede do seu beijo.

Sinto saudade daquele violão enfurecido rugindo na madrugada, e das baladas de loucos, e das vozes loucas - minha e sua - criando refrões, refrões, e versos e refrões em cima de tudo, de todos e do nada.

Tenho sede de rasgar a sua roupa. naquele colchão cheirando a úmido de um terraço feio e mal cheiroso, ouvindo beatles até o amanhecer e saindo correndo depois, para não sermos queimados pelo sol. sede de você.

Sinto saudade dos teus cabelos loiros sempre desalinhados, desarrumados e você me dizendo que eu fico muito melhor sem creme nos cabelos - é o caos, e o caos combina com você, l.

Sede, saudade, salvador, itália.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Ai, ai. Nada mais me surpreende depois dessa.

Estou eu, quieta no meu canto, quando me liga a namorada de um amigo, pedindo o telefone do meu namorado que está com ele.

-Por quê?
-Porque o meu não atende o celular.

Olhe que esse casal era a minha única esperança no mundo: ele, um porra-louca da vida, espalhava aos quatro ventos que ela tinha sido sua salvação.

A curiosidade mórbida me faz ligar antes.

-É pra dizer que eu vou dormir aqui, não que eu vou voltar pra casa.
-Por quê?
-Porque não quero falar com ela hoje.


Dear God. Enfiaram-me dentro de The Last Kiss, e eu não sabia.

É, Maysa, tô contigo. Meu mundo caiu.