segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

versão 2.0

pepe tem olhos de criança
e anda distraído pelo céu de néon
pisando em soluções distrações preocupações

cresce, não!

mas num deixa de agarrar a ponta da lua
quando sumir no rabo do cometa
preu te ver daqui de baixo

domingo, 31 de janeiro de 2010

o melhor de passar uma semana em são paulo - my dear paulicéia - não vai ser o masp nem a pinacoteca nem o ibirapuera nem a oscar freire com suas garotas tão belas.

reencontrar ricardo, meu caro tão caro escritor, preso no seu cinzeiro cheio de bitucas apagadas. ou carol, minha doce atriz. nunca mais parei um estranho na rua para perguntar sobre a vida. só faz sentido com você. assim como o champanhe só tem gosto se for gelado. e ruivo.

meu querido lucc, vamos lá, vamos sentar naquele bar em moema, reclamar do nosso ódio eterno a salvador - entremeado com saudades -, da especulação imobiliária, rir das nossas cantorias toscas, acender mais um cigarro, quem sabe misturar uma vodka e pensar que o dia de amanhã pode ser melhor, afinal, nós pagamos nossos impostos.

marina. como vai ser bom te ver. vamos falar mal de avatar e toda essa tecnologia imbecil na varanda do masp? tomando um café? ou naquele bar vinte-e-quatro-horas-que-na-verdade-são-dezessete, ao lado de um pint? precisamos de inspiração. joi de vivre, não era isso? como éramos bobas. crianças. e agora estamos aqui, na paulista. que saudade, marina.
quando resta apenas o silêncio, as bocas cansadas têm como fio de esperança o sol do dia seguinte.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

uma gata dos olhos azuis apareceu por aqui. tasquei-lhe conchita. gostou! ela até responde quando a chamo. conchita dorme mais do que eu e me acorda cedo, quase madrugada, para passear. é uma gata, veja bem, não um qualquer cão. abro a porta, pernas bambas do sonho mal acordado, sol batendo na fuça, e ela sai, rebolando. deita no quintal, espreguiça, rola, rala, volta, toma banho. se eu ameaço voltar para o lar doce lar minha cama, conchita reclama. ô. nasci pr'isso não, moça. pra piorar, conchita ainda compartilha do meu péssimo gosto: fred astaire. numa dessas madrugadas estava passando o picolino de novo (sabe? 'heaven, i'm in heaven?'), e eu fiquei, tal qual boba, de coração apertado querendo ser a ginger.

mas num é que a gatinha senta no meu colo, pára bem quietinha, abre os olhos azuis e fica hipnotizada por fred? ô.

[ou talvez conchita simplesmente tenha a sabedoria daqueles que concordam sem nem arregaçar os dentes.]
only place there's safety is house
when my yesterday smelled carpet
welcomes me and conchita, the cat
poures coffee all over

but one must gamble:
cross the street and go to the bank
say hello to lillies
- even buy some and give to that old friend of yours
and do the unpleasant
by turning off ears fingers eyes
and just care, only care
about dreams
and love
and leaves
and tomorrows

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

sem nem saber por quê, alice saiu catando folha atrás de folha na estante preta, procurando um número de telefone, um sobrenome, uma indicaçaõ de rua (ao lado da padaria? perto da escola são luís? onde, deus, onde?), uma seta para se guiar. tinha apenas o nome, a porcaria do nome, e um e-mail velho, porque claro que seis anos depois ninguém usa o mesmo caralho de e-mail. o mundo era mais fácil quando as pessoas não perdiam senhas, a telemar cobrava caro por uma assinatura de telefone (então, as grandes famílias brasileiras tinham uma e tão somente uma linha) e a inscrição na lista telefônica era obrigatória. nem alice tem registro na lista. e olha que ela tenta fazer parte da sociedade.

e eis o começo: sentada em um banco, à espera de uma entrevista, ela o vê. alice calcula rapidamente seis anos - cresceu cinco centímetros, o cabelo escureceu, a calça jeans continua no mesmo tom de azul. o que está diferente? nada. mantém até o cavanhaque. olha para baixo: ela sim, está diferente. talvez seja por isso que ele fale nada: não a reconheceu. acalenta essa hipótese por alguns minutos. seria? será? tão diferente isso?

não, claro que não. maracas, por favor.

revira e vira caderno: fotos do início do século, dez, doze anos atrás. mue deus, quanto tempo passou e eu não vi, só alice que não viu. O relógio anda, as horas passam: é impossível encontrar uma indicação desse ser. para onde foi, para onde vai; ficaram apenas os minutos minutos minutos manchados de passado.

[continua]

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

me salva;

me salva.

aqui nessa selva de itaipavas, ouvindo beatles até não agüentar mais - i told you about strawberry fields, where nothing is real -, tramando tramóias pernósticas pelo msn.

era assim que você se imaginou aos vinte anos?

amigo, faltou luz hoje na glória. tudo estava às escuras. roubaram minha pele e eu virei isso aqui: um travesti.