sexta-feira, 11 de junho de 2010

direto da inglaterra

honey pie you are making me crazy
i'm in love but I'm lazy
so won't you please come home.

oh, honey pie you are driving me frantic
sail across the Atlantic
to be where you belong.

honey pie, come back to me.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

querida b.,

nossos tempos não são sutis. não são delicados: eles atropelam nosso silêncio. tentamos dormir, mas eles forçam a entrada [ em verdade, não exatamente forçam: demos a eles a cópia das chaves ]. prostrada diante de um muro (verde), imagino uma saída - fugir? desistir? esmorecer? quando não mais conseguimos navegar, diante de tantos pontos e vírgulas, muito menos atracar os barcos, já que os portos não são seguros, o impasse transforma-se em calendário - o seguir rotineiro dos dias. o mais estranho é termos seguido todas as regras à moda da casa: meninas honestas, bem criadas, alimentadas corretamente e repletas de dedos nas mãos. (o esforço se mostrou inútil: a casa muda suas próprias regras).

tento, então, fechar os olhos. eis que a campainha soa: eis um homem, muito bem vestido, paletó bem cortado, que sabe falar ao menos sete línguas e traz consigo as últimas novidades de paris; eis um homem bem sucedido. tenta vender-me uma mala, digo que não tenho para onde ir; tenta vender-me um tapete, digo que não tenho sequer um chão; tenta estender-me uma mão, digo que não mais tenho braços. ao fim, já cansado, estende-me uma placa: estacione aqui. e se vai, levando as cortinas.

b., ao cabo e ao fim, lembremos sempre: começar pelas médias, depois para pequenas e por fim, as grandes.

dicionário

sparkle


arrepios de letras
na ponta dos lábios.
your words
arms
waves
mouth
bubbles
and drops of sunlight
- they sparkle stars
in my violet sky.

terça-feira, 8 de junho de 2010

- ah, agora eu entendi. (alice sorri). entendi o e-mail bêbado, as frases mal dispostas, a raiva calada desses dias. nada vem por acaso. essa máquina de escrever torta, ainda se equilibra em promessas de porcelana. nessa casa, (alice revira os olhos) a lição foi sempre a mesma: não acreditar em superlativos. não existe o maior, existem as circunstâncias; mas ah, alice suspira, já são quase uma da manhã e na quinta-feira há muito que ser feito, responsabilidades despejadas, encontros e desencontros, arrumações de armários e todas as mortes que uma quinta-feira impõe.

- não há mais castelos, nem mesmo os de areia, honey-pie. se procurar bem, (alice olha para a esquerda, como quem completa em silêncio 'mas não vai adiantar'), há algumas cartas espalhadas pelo chão - seria sua essa caligrafia? -, sementes de uvas, alguns lençóis em azul. não tenho nada com eles. tome, são seus se os quiser.

- (alice, em velha mania, coloca o pulso direito rente à orelha) não há entreatos: há palavras mal ditas. e não, eu não quero mais ser sua puta. taí, eu fiz tudo para você gostar, fui mulher-vulgar, meia-bruxa, meia-fera: ana cristina, conhece? tantos poemas que perdi. (alice olha para baixo e repete, silenciosamente) tantos poemas que perdi.
o que eu peço é apenas uma janela.

(não para me esconder
nem para empurrar lembranças afora
talvez fosse para avistar gaivotas -
mas não:
sequer seria para esfriar as dores
ou transformar palavras em uísque
quem sabe de moldura nascer
máquina de escrever, noite adentro, noite fria adentro
mas não.)

quero uma janela para firmar
suas mãos no meu rosto
para quando você virar à esquerda
o molde tomar corpo
e flutuar pela sala.

rápidas considerações

(estou de passagem e não quero gastar o tempo dos senhores com conversas vãs)

. o escritor fantasma, o novo do polanski, é um remake sem charme de chinatown. um cara que se acha malandrinho é contratado para um trabalho menor que esconde uma trama política cheia de intrigas e no centro de tudo, uma mulher fatal e ambiciosa. desculpem, mas jack nicholson & faye dunaway são imbatíveis. e vamos combinar que roteiros escritos por jornalistas da BBC sobre grandes intrigas envolvendo grandes personagens da BBC são ZZZZzzzzzzzzzzzZZZZ

. whatever works é sanduíche requentado do woody allen.

. mary & max é um primor: pelo roteiro, pela animação, pela trilha sonora, pela narração deliciosa. um aviso: não é filme para quem acha a vida bela & a flor amarela. os personagens são losers, mas LOSERS MESMO, do tipo que são abusados pelos pai e nunca tiveram um relacionamento saudável na vida.

. o que resta do tempo é um exemplo raro de filme lúcido - sem ser chato - sobre a posição das famílias árabes que decidiram ficar em israel. delineia a história e firma um ponto de vista sutil e delicado sem ser irritantemente panfletário. (apesar de que algumas pessoas saíram da sala revoltadas. too bad for them).

. alguém, por favor, tire ilha do medo de cartaz. vergonha alheia pelo scorsese. ele não merece isso.

. mother ainda está em cartaz, assim como pernassus. eu, se fosse você, matava a família e ia ao cinema.