segunda-feira, 10 de setembro de 2012

a poesia que escapou
sob o lençol
sangrou quieta de marinho
ácido você
retirou-se da sala antes do poema levantar
sequer me acordou

sábado, 4 de agosto de 2012

de repente arrepender-se por ser assim: constante ebulição, lençol pelo avesso, cinema de garagem. pássaros infinitos em revoada pelo quarto.

de repente não arrepender-se por ser assim mas abrir uma fresta de vez em quando para observar o tráfego. os carros bailarinas no espaço

dormi com a sua doçura sour ontem quando estive a um passo de enlouquecer

e daquelas três fotos guardadas em papel pardo para fingirem tom abaixo do normal, já não me reconheço mais, tão brancas as pernas

se fosse para buscar uma palavra, resgataria aquele rasgo de amarelo das tuas retinas quando com medo

para afastar a reza
para aproximar o vento
para acalmar o coração inquieto




quinta-feira, 19 de julho de 2012

talvez seja o frio de são sebastião
talvez por ter voltado a fumar
talvez esse anel inquieto no anular

talvez o pina (que me secou as palavras
talvez o azulzyness (propriedade do azul em se espalhar
talvez o ano, estranho esse (segue a rebentar

talvez por isso ainda insisto
nesse sorriso
nessa tempestade
acreditando (mais dia menos dia
desagüo nesse mar

quinta-feira, 12 de julho de 2012

de um azul tão rente ao osso
inventa manhãs apenas para

incendiá-las
depois
quem me dera
caetano diz que sim
a verdade é que
ah, deixa para lá

sábado, 30 de junho de 2012

irmãos

somos cinco:
João
o mais velho
o filósofo
o desaparecido
- eu

nunca juntos sorrimos
em uma fotografia

não saberia dizer
- por exemplo
o exato instante em
que o mar descobriu ser de joão

no entanto sei
que
o desaparecido lá nunca esteve

mas sei do filósofo
sóbrio
certa noite disse-me:
- o amor é só
um estremecimento do azul

e assim, Cássio, tenho seguido

terça-feira, 26 de junho de 2012

a palavra com sede