segunda-feira, 26 de novembro de 2012

tríptico

sob palavras, vejo-te
corpo exposto
à mesa

cobrimos de vidro
e sal
chamamos casa
nos inundamos de
mar

entretanto, luz.


****

esqueço-me da noite quando em ti

percorro a casa vazia
a te procurar
atenta aos sinais mais absurdos

às obsessões clandestinas que
nos uniram quando
do instante

os braços doem.

decido parar de contar
gaivotas.

depois paro e penso
(no teu mar)


****

sintoma das gaivotas


das ondas,
a inevitável diferença entre
o assombro
e a sublime experiência
do infinito.

carrego de instante os bolsos

as mãos trafegam, não
sem ardor,  pelas linhas
do teu mar

agora, observe.

vê o esmorecer do vermelho junto ao
cais?

as aves soçobram o tempo e
gritam:

domingo, 18 de novembro de 2012

tenho o sintoma das gaivotas

trazem com as ondas
a inevitável diferença entre
o assombro e a sublime experiência do infinito

carrego de instante os bolsos
onde as minhas mãos trafegam
- não sem ardor -
pelas linhas do teu mar

agora, observe.

vê o esmorecer do vermelho junto ao cais?
agosto não é mais como queríamos

as aves soçobram o tempo e
dizem:

vem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

estou em dias de agonia. corro e ardo, jogando os braços contra a parede à espera de. não há azul, não há azul, não há azul - seria o maremoto se anunciando? creio que não: creio ser, afinal, mais do mesmo. círculos em torno do amarelo-ocre, o espaldar de um mil novecentos e setenta e sete. atraso-me por não conseguir levantar: a rua arrefece enquanto as mãos, nuas, reconstruem o oceano. de todas as janelas, as vermelhas. tenho saudades de ricardo, o que percorreu estradas - gostava de tocar a sua liberdade. não, poesia não se faz com o fígado. poesia arranca - e não há garganta que a faça parar.

domingo, 4 de novembro de 2012

tarefas para segunda-feira

alimentar os
elefantes da sala
levar as cartas aos correios
(já com os selos lambidos)
não temer o azul
lá fora
lavar os pés com a água
d'após o abismo
desconfiar
da eletricidade
abrir o instante e
da ponta da faca
abrir-me

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

a poesia que escapou
sob o lençol
sangrou quieta de marinho
ácido você
retirou-se da sala antes do poema levantar
sequer me acordou

sábado, 4 de agosto de 2012

de repente arrepender-se por ser assim: constante ebulição, lençol pelo avesso, cinema de garagem. pássaros infinitos em revoada pelo quarto.

de repente não arrepender-se por ser assim mas abrir uma fresta de vez em quando para observar o tráfego. os carros bailarinas no espaço

dormi com a sua doçura sour ontem quando estive a um passo de enlouquecer

e daquelas três fotos guardadas em papel pardo para fingirem tom abaixo do normal, já não me reconheço mais, tão brancas as pernas

se fosse para buscar uma palavra, resgataria aquele rasgo de amarelo das tuas retinas quando com medo

para afastar a reza
para aproximar o vento
para acalmar o coração inquieto




quinta-feira, 19 de julho de 2012

talvez seja o frio de são sebastião
talvez por ter voltado a fumar
talvez esse anel inquieto no anular

talvez o pina (que me secou as palavras
talvez o azulzyness (propriedade do azul em se espalhar
talvez o ano, estranho esse (segue a rebentar

talvez por isso ainda insisto
nesse sorriso
nessa tempestade
acreditando (mais dia menos dia
desagüo nesse mar