distraídos
venceremos
a falta de grana,
o carinho pela metade,
a arte mal feita,
o vinho estragado,
os lençóis sujos.
distraídos
sairemos da estrada
alcançaremos um telhado
-qualquer espaço de terra-
e morderemos o céu.
venceremos
o mar,
o vento,
a serra,
até mesmo as marcas que brotam
no meio da noite
nas nossas costas sujas
e doídas.
distraídos cairemos,
nossos pés irão enfiar-se uns aos outros
na lama
não mais lembraremos nossos nomes
nossas razões
-nunca houve, em verdade-
perderemos nossos olhares nesses buracos
nessas valas
de tantas ruas.
venceremos por sorte
ou por tédio
quem sabe até por algum
mérito
mas
venceremos
distraídos.
terça-feira, 1 de julho de 2008
até um determinado ponto você não acredita mais em deus nem na esquerda. depois você passa a desacreditar na salvação do rock, num bom pastel que não seja em são paulo, na criatividade retumbante que surgia na madrugada, na fumaça preta invadindo seu quarto. você não acredita mais no pleno funcionamento dos seus pulmões, do fígado, dos dedos, num futuro pro país, na nova literatura brasileira. depois de tudo você desacredita na sua faculdade, na pilha de jornais da sala, na bebida barata, no álcool que esquenta, você deixa até de acreditar na tela de cinema e a tudo assiste como quem vê pequenos fragmentos voarem em trens-bala.
mas e quando você deixa de acreditar em você? há solução?
mas e quando você deixa de acreditar em você? há solução?
domingo, 29 de junho de 2008
nunca topei listas; sempre enchia o saco no meio e largava, ia fazer qualquer outra coisa - desligue sua lista e vá ler um livro - hehe. piadinha de domingo.
e ontem surgiu isso. listas. cem coisas para fazer em mil dias. complicado. não tenho dinheiro e quero coisas demais. aí eu lembrei de uma outra lista, abandonadíssima, de coisas para fazer antes dos trinta.
panz.
primeiro, pensei que não tinha nada para preencher o papel e me assustei. um grito até foi ouvido na rua das laranjeiras. baixinho, porque hoje é domingo e afins. mas não é isso.
há o péssimo defeito na minha pessoa de não cumprir nada que esteja escrito abaixo de um título COISAS PARA FAZER. total seicho-no-iê, força das palavras, tudo isso. rebelo-me na hora.
eu queria entrar numa banda de rock. oh, yeah. mas como isso não é possível - vejo-me interessada em uma, não vejo uma interessada em moi -, contento-me em ser playback da tina turner.
deixar o cabelo crescer pode ser uma meta. bah, quem eu quero enganar - eu não vou cumprir só de birra.
o torpor de cada um de nós consiste em negar teorias diariamente. queéisso, vou pegar meu sax e sumir por uns tempos.
quem dera.
e ontem surgiu isso. listas. cem coisas para fazer em mil dias. complicado. não tenho dinheiro e quero coisas demais. aí eu lembrei de uma outra lista, abandonadíssima, de coisas para fazer antes dos trinta.
panz.
primeiro, pensei que não tinha nada para preencher o papel e me assustei. um grito até foi ouvido na rua das laranjeiras. baixinho, porque hoje é domingo e afins. mas não é isso.
há o péssimo defeito na minha pessoa de não cumprir nada que esteja escrito abaixo de um título COISAS PARA FAZER. total seicho-no-iê, força das palavras, tudo isso. rebelo-me na hora.
eu queria entrar numa banda de rock. oh, yeah. mas como isso não é possível - vejo-me interessada em uma, não vejo uma interessada em moi -, contento-me em ser playback da tina turner.
deixar o cabelo crescer pode ser uma meta. bah, quem eu quero enganar - eu não vou cumprir só de birra.
o torpor de cada um de nós consiste em negar teorias diariamente. queéisso, vou pegar meu sax e sumir por uns tempos.
quem dera.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Querida Nina,
O vento de repente tornou-se seco. Mudou a estação, só pode ser. Algo muito comum aqui no Rio de Janeiro: acordar verão, crepuscular inverno. Amanheceu seco principalmente porque assim ele foi comigo. Respondeu à minha mensagem cheia de amor com um simples "combinado". Começou a chover agora, mas estou com calor. A luz dos postes diminuiu, os carros passam ávidos por casa, cama e cobertor - ei, são duas horas da tarde ainda. É o mundo me dizendo em sua língua de raios, trovões, ventos e chuvas que estou no fim - bati em um muro; não há mais volta.
A realidade é que o clima muda o tempo todo, os ventos vão e vêm em suas inúmeras correntes quentes e frias, e as marés, bem, ninguém nunca sabe aonde as marés vão dessa vez, e veja bem, eu sempre acreditei muito nesses sinais que o mundo deixa por aqui e por acolá, afinal, se você não pode confiar no seu vizinho - ou qualquer vizinho -, a única alternativa é acreditar no imaterial. Há muito desisti de crer em qualquer coisa capaz de falar em minha língua ou em qualquer outra, e principalmente, capaz de sorrir. Um sorriso é o pior inimigo: capaz de mentir sem pronunciar uma única palavra.
Minha querida Nina, o tempo está para morangos, como nosso CFA premeditou. Fico repassando fotos e mais fotos, tentando extrair delas um elixir da felicidade, sabe? um líquido azul e brilhante que me transporte apenas para o momento exato do clique, o momento feliz, de dentes altos e brancos. não vou falar de ninguém mais, mas estou sempre indo atrás de uma felicidade falsa, estampada em papel fotografia 15x21, presa em segundos.
(queimei todas as cartas de amor e me mordo quando surge a vontade de escrever uma nova. até agora, não perdi um dedo.)
A realidade é que o clima muda o tempo todo, os ventos vão e vêm em suas inúmeras correntes quentes e frias, e as marés, bem, ninguém nunca sabe aonde as marés vão dessa vez, e veja bem, eu sempre acreditei muito nesses sinais que o mundo deixa por aqui e por acolá, afinal, se você não pode confiar no seu vizinho - ou qualquer vizinho -, a única alternativa é acreditar no imaterial. Há muito desisti de crer em qualquer coisa capaz de falar em minha língua ou em qualquer outra, e principalmente, capaz de sorrir. Um sorriso é o pior inimigo: capaz de mentir sem pronunciar uma única palavra.
Minha querida Nina, o tempo está para morangos, como nosso CFA premeditou. Fico repassando fotos e mais fotos, tentando extrair delas um elixir da felicidade, sabe? um líquido azul e brilhante que me transporte apenas para o momento exato do clique, o momento feliz, de dentes altos e brancos. não vou falar de ninguém mais, mas estou sempre indo atrás de uma felicidade falsa, estampada em papel fotografia 15x21, presa em segundos.
(queimei todas as cartas de amor e me mordo quando surge a vontade de escrever uma nova. até agora, não perdi um dedo.)
segunda-feira, 16 de junho de 2008
do professor de estética:
"l., super legal, você tem uma leitura rápida e eficiente e muito boa, e você escreve muito bem suas idéias nos resumos. você maneja bem pacas esse negócio de 'expressão e linguagem', que, na minha ótica (estética), é uma forma de arte! e das mais difíceis!"
obrigada por puxar minha auto-estima lá do abismo.
"l., super legal, você tem uma leitura rápida e eficiente e muito boa, e você escreve muito bem suas idéias nos resumos. você maneja bem pacas esse negócio de 'expressão e linguagem', que, na minha ótica (estética), é uma forma de arte! e das mais difíceis!"
obrigada por puxar minha auto-estima lá do abismo.
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