quando que a gente perdeu o rumo mesmo?
dá pra botar a vida nos trilhos ou os trilhos saíram da vida?
dá pra maquiar inseguraça? passar um blush, pá?
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
macho, macho man
macho macho man, i've got to be a macho man
decide tua vida, mulher.
tem que ser assim, e tem que ser. porque se for diferente, merda dará.
pega o carrinho do corcovado e tchu-ru-tchu-tchu-tchu.
sobe, filha. pagou as contas? ah, nada dessa merda importa (brincadeira)
tem é que pensar no rumooooo
candy says 'ive come to hate my body
desce uma vodka.
decide tua vida, mulher.
tem que ser assim, e tem que ser. porque se for diferente, merda dará.
pega o carrinho do corcovado e tchu-ru-tchu-tchu-tchu.
sobe, filha. pagou as contas? ah, nada dessa merda importa (brincadeira)
tem é que pensar no rumooooo
candy says 'ive come to hate my body
desce uma vodka.
Eu estava na pior. Joana, bela Joana, Joana de cachos longos, Joana de olhos amendoados, Joana de longas pernas, grossas, enfiadas num sandália vermelha de salto fino, Joana de vestidos floridos costurados pela avó, Joana professora de espanhol, cantava boleros em casa enquanto lavava a louça. Joana me abandonou. Deixou os copos sujos quando saiu. Por dois dias eu vomitei Jana. Bebi todo o estoque de álcool da casa, pedi uma garrafa emprestada ao vizinho que bate na mulher e depois saí para comprar mais uma. Não me leve a mal, eu também não concordo com violência, mas eu precisava de um favor. E, no fundo, eu acho que ela gosta. Uma vez Joana saiu de noite para ver a mãe doente, em Botafogo. Liguei a tevê no canal de tapetes e anéis, com aquelas mulheres grotescas me incitando a comprar coisas que não precisava, mas que faziam companhia. Uma voz histérica gritou 'me bate'. Outra vez e mais alto. Parecia um urubu avisando carne fresca aos colegas. Primeiro, os tapas. Depois, os murros. Não agüentei mais ouvir e aumentei a tevê. - Anéis cravejados de brilhantes, lavados a ouro branco, especiais para um presente de casamento, em doze vezes sem juros - uma ruiva me dizia. Qualquer coisa era melhor.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Eu tinha decidido não fazer críticas de cinema porque, afinal, existem outros para isso.
Mas li alguns textos horrorosos sobre o filme dos Coen, e meu sangue ferveu. Honestamente, eu detesto gente que não entende picas de cinema e se mete a falar como se entendesse.
"Onde os fracos não têm vez" é o melhor filme dos Coen. Aqueles humor negro ultrapassando o nonsense e beirando o chato em "A Roda Fortuna" encontra a dosagem perfeita aqui. Fracos tem humor, sim. No cabelo de Anton. Na mãe que proclama ter câncer, como se fosse um prêmio. Nos diálogos afiadérrimos do roteiro bem construído. No nome do assassino.
Se "Amor custa caro" eles pareciam travados dentro de uma mega-produção, aqui eles estão soltos. Afinal, Fracos é uma mega produção. Mas ela não se vende como uma. Entende a diferença? O filme é seco, direto e objetivo. São duas histórias, de dois homens, ligada por um terceiro que não crê mais em história alguma. O terceiro homem sobrevive apenas. Ele ri de tudo aquilo. Ele despreza tudo aquilo. Mas por ser um policial - e Tommy Lee Jones encara cada vez melhor personagens no limite - ele vive na tensão entre o dever amado e a desilusão com a realidade.
O roteiro? Simples e completo, como todos os roteiros devem ser. (Não me venha dizendo que os roteiros do Tarantino são confusos porque não são - são simplérrimos). Roteiros confusos são para quem não tem nada a dizer. Um homem acha uma mala cheia de dinheiro. Resolve melhorar a vida. Um assassino profissional quer essa mala. Pelo dinheiro? Não. O dinheiro é o segundo plano. Pela moral. Pelo incômodo que o primeiro causou. Exatamente assim. Entra, então, um tema que Hitchock descobriu ser o melhor para penetrar uma platéia: onde se esconder quando alguém o persegue? Será possível existir um lugar no mundo possível para fugir? Como controlar a boca das outras pessoas? Puro suspense, babe. E tão simples. Tão simples.
A montagem - também assinada por eles, só que com pseudônimo - é sensacional. A fotografia, alternando entre a sujeira e a secura. Anton está sempre entrecortado por sombras. A luz sempre dá a impressão que Tommy Lee é concurda. Meio ranzinza. Como se toda aquela prodridão dos novos tempos fosse tão pesada que danificasse sua postura. A cena do quarto - bem, não interessa saber onde ele estava, não é? Só interessa saber que ELE estava. E a sua moral não o permitiu matar o delegado. Pois ele não o incomodou. Estava simplesmente cumprindo o seu dever. Como ele.
Fracos não é um filme difícil. Tampouco é simples de digerir. Ele fala de coisas como valores, morais, princípios, oportunidades, questões que mexem com o estômago e o cérebro de qualquer pessoa. Você tem uma vida normal, lícita, lutou na guerra, tem uma mulher. Você aceita dois milhões de dólares, mesmo sabendo que não são seus? Você protegeria sua mulher, dando a sua vida, ou lutaria até o fim? Você seguiria os seus príncipios morais? Mesmo que isso significasse matar?
O final de Fracos, como alguns têm dito, não é inteiramente aberto. Para mim, ele fala tudo. "And then, I woke up."
Mas li alguns textos horrorosos sobre o filme dos Coen, e meu sangue ferveu. Honestamente, eu detesto gente que não entende picas de cinema e se mete a falar como se entendesse.
"Onde os fracos não têm vez" é o melhor filme dos Coen. Aqueles humor negro ultrapassando o nonsense e beirando o chato em "A Roda Fortuna" encontra a dosagem perfeita aqui. Fracos tem humor, sim. No cabelo de Anton. Na mãe que proclama ter câncer, como se fosse um prêmio. Nos diálogos afiadérrimos do roteiro bem construído. No nome do assassino.
Se "Amor custa caro" eles pareciam travados dentro de uma mega-produção, aqui eles estão soltos. Afinal, Fracos é uma mega produção. Mas ela não se vende como uma. Entende a diferença? O filme é seco, direto e objetivo. São duas histórias, de dois homens, ligada por um terceiro que não crê mais em história alguma. O terceiro homem sobrevive apenas. Ele ri de tudo aquilo. Ele despreza tudo aquilo. Mas por ser um policial - e Tommy Lee Jones encara cada vez melhor personagens no limite - ele vive na tensão entre o dever amado e a desilusão com a realidade.
O roteiro? Simples e completo, como todos os roteiros devem ser. (Não me venha dizendo que os roteiros do Tarantino são confusos porque não são - são simplérrimos). Roteiros confusos são para quem não tem nada a dizer. Um homem acha uma mala cheia de dinheiro. Resolve melhorar a vida. Um assassino profissional quer essa mala. Pelo dinheiro? Não. O dinheiro é o segundo plano. Pela moral. Pelo incômodo que o primeiro causou. Exatamente assim. Entra, então, um tema que Hitchock descobriu ser o melhor para penetrar uma platéia: onde se esconder quando alguém o persegue? Será possível existir um lugar no mundo possível para fugir? Como controlar a boca das outras pessoas? Puro suspense, babe. E tão simples. Tão simples.
A montagem - também assinada por eles, só que com pseudônimo - é sensacional. A fotografia, alternando entre a sujeira e a secura. Anton está sempre entrecortado por sombras. A luz sempre dá a impressão que Tommy Lee é concurda. Meio ranzinza. Como se toda aquela prodridão dos novos tempos fosse tão pesada que danificasse sua postura. A cena do quarto - bem, não interessa saber onde ele estava, não é? Só interessa saber que ELE estava. E a sua moral não o permitiu matar o delegado. Pois ele não o incomodou. Estava simplesmente cumprindo o seu dever. Como ele.
Fracos não é um filme difícil. Tampouco é simples de digerir. Ele fala de coisas como valores, morais, princípios, oportunidades, questões que mexem com o estômago e o cérebro de qualquer pessoa. Você tem uma vida normal, lícita, lutou na guerra, tem uma mulher. Você aceita dois milhões de dólares, mesmo sabendo que não são seus? Você protegeria sua mulher, dando a sua vida, ou lutaria até o fim? Você seguiria os seus príncipios morais? Mesmo que isso significasse matar?
O final de Fracos, como alguns têm dito, não é inteiramente aberto. Para mim, ele fala tudo. "And then, I woke up."
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
oh, no.
porra. caralho. parece que me reviraram toda, arrancaram a porra dos meus pulmões. eu nunca quis te fazer mal. todas as minhas ações sempre foram para te proteger, como você não vê isso?
novamente, eu apertei o botão errado, o do medo, o da insegurança, e fiz merda. decepcionei você, me decepcionei comigo. mas tudo, tudo foi no sentido de não te ferir, porra. como você não vê isso?
é a velha síndrome de auto-sabotagem, alguém grita por aí, alguma amiga minha se baseando em freud; foda-se, foda-se essa minha auto-sabotagem, eu quero ser uma pessoa feliz, e acima de tudo, te fazer feliz. não consigo dormir, não consigo comer, não consigo pensar em outra coisa que não seja o mal que eu te fiz, e o quanto as suas palavras duas cortaram o meu coração. se eu realmente fosse desonesta contigo, eu estaria te procurando tanto? como você não vê isso?
como você não vê que o som mais doce é o das suas palavras? que o meu amor por você é enorme, é infinito, é sempre, é hoje, é ontem, é amanhã, misturado com meu medo de ser abandonada, e pim! o que acontece? eu vou de encontro a exatamente isso. você não é uma peça de xadrez. é uma parte do meu corpo. é meu braço esquerdo que foi arrancado de mim.
desculpe. por favor. é só o que eu te peço. desculpe. entenda, sinta, ouça, veja esse amor que pulsa dentro de mim. ele existe. e nunca te faria nenhum mal. ele nunca mentiu para você. nunca.
novamente, eu apertei o botão errado, o do medo, o da insegurança, e fiz merda. decepcionei você, me decepcionei comigo. mas tudo, tudo foi no sentido de não te ferir, porra. como você não vê isso?
é a velha síndrome de auto-sabotagem, alguém grita por aí, alguma amiga minha se baseando em freud; foda-se, foda-se essa minha auto-sabotagem, eu quero ser uma pessoa feliz, e acima de tudo, te fazer feliz. não consigo dormir, não consigo comer, não consigo pensar em outra coisa que não seja o mal que eu te fiz, e o quanto as suas palavras duas cortaram o meu coração. se eu realmente fosse desonesta contigo, eu estaria te procurando tanto? como você não vê isso?
como você não vê que o som mais doce é o das suas palavras? que o meu amor por você é enorme, é infinito, é sempre, é hoje, é ontem, é amanhã, misturado com meu medo de ser abandonada, e pim! o que acontece? eu vou de encontro a exatamente isso. você não é uma peça de xadrez. é uma parte do meu corpo. é meu braço esquerdo que foi arrancado de mim.
desculpe. por favor. é só o que eu te peço. desculpe. entenda, sinta, ouça, veja esse amor que pulsa dentro de mim. ele existe. e nunca te faria nenhum mal. ele nunca mentiu para você. nunca.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
é meu aniversário. são dez horas da manhã. de casaco vermelho, vendo a chuva cair em laranjeiras. algo que irá se manter até amanhã, meio dia, quando eu vou levantar minha bunda da cadeira e ir pro jornal.
nada adianta mais, tudo o que tinha pra ser dito já foi dito, já foi feito, já foi escrotizado, e agora resta o grande vazio existindo do meu lado.
nota mental: aprender a conviver com o vazio. simples assim.
o que eu faço com essa dor? filtro e transformo em vodka.
continua chovendo.
eu ainda te amo.
nada adianta mais, tudo o que tinha pra ser dito já foi dito, já foi feito, já foi escrotizado, e agora resta o grande vazio existindo do meu lado.
nota mental: aprender a conviver com o vazio. simples assim.
o que eu faço com essa dor? filtro e transformo em vodka.
continua chovendo.
eu ainda te amo.
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