domingo, 11 de novembro de 2007

Mas sabe o que é pior?

Gostar de alguém e não receber esse gostar em troca.

Só receber bordoada.

Vivendo e aprendendo.
Com sua língua enfiada em mim, ele disse:

Eu te amo.

Mas eu só conseguia gritar.

***

Ana Carla estava deitada em uma cama estranha, sozinha.

Mantinha as mãos cruzadas sobre o peito, como cadáver. Cadáver viva.

Mesmo no escuro, reconhecia cada canto daquele quarto; ao seu lado esquerdo, uma mesa com um livro. E um abajour quebrado. Do seu lado direito, o ar-condicionado. Não estava no meio da cama - tinha mania de ficar no lado esquerdo, em posição fetal.

Ia embora ou chorava? Agarrou as pernas tão fortemente - quebrá-las. Mais uma vez enganada. Desprezada. Largada sozinha. Em mais uma cama estranha. Queria arrancar as unhas pintadas de vermelho.

Dormir. Era só o que precisava.

Ana Carla sonhava com a sua cama e o dia em que dormiria sozinha porque quis, e não porque foi abandonada.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cortaram minha internet por falta de pagamento. A conta do cartão de crédito do mês passado deu quatrocentos reais. A conta desse mês será cento e setenta. Dá pra pagar a internet. A NET eu já larguei de mão. Não via nada de interessante naquela porra mesmo.

Minhas fotos vão ficando pelo caminho - credo. Já perdi tantas. Acho que estou vivendo a teoria do Pedro, de que bom mesmo é ter os lugares na memória, e não no papel. Papel é feito pra limpar a bunda. E escrever.

Olho umas fotos antigas - no PC - e em todas elas eu pareço mais feliz do que estou hoje. Um olhar mais feliz, sabe? Estou ficando chata, chatíssima; as roupas acumulam-se no cesto. E quem disse que eu vou lavar? Nunca soube nunca saberei lavar roupas. No dia em que sair pelada na rua, veremos.

Essas coisas são tão... desimportantes. Roupa, NET, contas, papel. Rua. O que deveria importar não é o que está aqui dentro, o que dói, o que espirra sangue? O que deveria importar não é eu te ligar duzentas vezes e você não atender porque está na estrada, e eu amaldiçôo a estrada e a porra que vier porque eu queria que você estivesse aqui, me amando, caralho. E foda-se a NET. a NET não presta. a NET tem david letterman.

É o que dói, bicho. É sempre o que dói. É o que fica, é o que escreve, é o que marca, é o que fode. Foder não dói? Fumar não dói? Beber não dói? Atravessar a rua dói pra caralho. Por que eu tenho que atravessar essa merda e não ficar em casa, fumando meu cigarro e vendo os pequenos buracos que o gesso faz no teto? Por que eu não posso atravessar no sinal vermelho?

Eu ando surtando por esse ano de doismilesete.

Ando querendo sua compania.

Pedro, desculpe por tudo. Mas para amar a gente sofre.

Gui, como eu gostaria de estar com você, derrubando uma garrafa de tequila.

São Paulo é linda - São Paulo pulsa. Do abismo de suas ladeiras que brotam nunca se sabe de onde, São Paulo pulsa. Tudo acontece e tudo ao mesmo tempo; e eu sou uma pobre caipira acostumada com o silêncio das ruas de laranjeiras no domingo. Tenho medo de São Paulo. A cidade pode me engolir quando eu virar as costas. Tenho saudade de lá. Sinto saudade porque quero sentir vida. E vida é a porra que ejacula de São Paulo.

É um tanto quanto surrealista chegar a uma loja de discos e perguntar - tem algum do blind melon? e te responderem - qual você quer? tenho o primeirão, o soup e o nico. ok, vou ali dar o cu para uns cinco, pego o dinheiro e volto. (nada que seja tão bom é barato.)

Não ligo pra minha mãe tem umas duas semanas. Não sinto falta. Mentira. Sinto falta sim. Só não sei o que dizer. A cruel honestidade dela me impede. De falar, mesmo.

Tenho medo. De tudo. Juro.

domingo, 28 de outubro de 2007

Então, só relembrando o fim de semana que é para ter plena certeza de nunca mais sair de casa:



Tim Festival cu. Tenho 87 anos para isso. Gosto de ouvir minhas músicas em casa, sem barulho, sem meu ouvido estourado, sem o Dado Dolabella do meu lado, sem o pessoal do EGO ou do Amaury Jr., ou de qualquer porra que tenha sido aquela aparição fantasmagórica de dois spots de luz na minha cara, com um babaca de terno correndo atrás da Thalma de Freitas.

Sábado passando mal. Jah resolveu comer meu cu com farinha e me baixou uma febre de trinta e oito graus. Seria tudo bem, tudo óóóóótimo, se não fosse o terceiro dia na semana com febre. A minha veia hipocondríaca já pipoca: isso se chama infecção no coração e provavelmente eu tenho três meses, doze dias e quatro horas de vida. O dia vomitando quando deveria estar tendo encontros eróticos com Weber e Adorno. Sem conseguir comer nada; nem sanduichinho de pão árabe com ricota. Estômago fresco é assim mesmo.

Não, não quero, mas tenho que: dois aniversários na mesma noite. Um na Barra, outro na Lapa. A escolha da roupa já foi um parto - como colocar uma mesma coisa que não parecesse uma mambembe na Miami e uma Suzana Vieira na Lapa? Uma hora olhando pro armário, pras minhas banhas, acendendo um cigarro, pensando que estou gorda e minhas roupas estão velhas - o que não faria muita diferença pra Lapa, mas porra, eu tô indo a um lugar onde quem tem menos dinheiro ganha um quarta e sala por mês. Tá, ok, decidido. Trânsito. Duas horas.

Barra é sempre Barra - é a mesma bosta de qualquer maneira. Miami falando Mexxxquita.

Lapa. Aniversário. Sono. Cansaço. Febre voltado. Cerveja, mais e mais uma. A última. Batata frita - mas e a minha banha? Segura na mão de deus e vai, minha filha. Terminar a noite como sempre: Pizzaria Guanabara, Piña Colada - moço, bota mais rum e vê se bate o gelo, tá? Toda vez é a mesma coisa: nego gosta de deixar a porra aguada. Dormi. No meio da pizzaria, no meio da gente, cagando pra tudo. Dormi em cima a mesa, com o braço no cabelo que é pra todo mundo pensar que eu sou maluca mesmo e me deixar em paz.

Na hora de voltar pra casa: cadê a chave, Pedro? Tá na sua bolsa. Não tá. Tá, porra. Não tá, caralho! Ninguém pegou na porra da bolsa, eu tava dormindo. Você perdeu a chave, Pedro?

Taca a procurar chaveiro. Algum chaveiro aberto às 4h30 da manhã no Rio de Janeiro? Não. Vamo pro Leblon - única bosta de lugar onde a cidade não dorme. Claro, neguinho pode pagar segurança. Pega o chaveiro, leva pra casa - quanto é, moço? Sessenta. CARALHO, MALUCO, TOMAR NO CU. E aí, moça, quer ou não quer?

Tá valendo. Caralho.

Moço, quanto é pra fazer uma nova chave? Porque o mané aqui perdeu a original.
Olha, moça, eu vou ter que pegar o molde da sua fechadura, levar pra minha loja e fazer. Só que hoje é domingo, então... A loja não tá aberta. E custa 40 reais.

Tomar no cu, moço, tenha um bom dia e passe bem.

E eu fico aqui, domingão alegre, lendo Weber e Adorno com o cu do tamanho da ervilha porque a porta da minha casa está aberta.
As pessoas são complicadas, né? Quando foi que "eu não preciso de você" virou "vem para cá agora"?

Depois, nego vem dizer que eu sou grossa.

sábado, 27 de outubro de 2007

Eu sou tão triste que dói.

Não é um estar triste - é ser. É todos os dias olhar pela janela, ver o mundo e criar coragem para atravessar a rua. Isolar-se das pessoas, afastar aqueles que, por algum acaso, ainda tentam se aproximar - se refugiar nos cobertores.

Acordar todos os dias com uma angústia travada, uma merda de um choro contido que não sai de jeito algum e fica sugando, rasgando, irritando, extorquindo. Eu finjo um sorriso para não mostrar a minha incapacidade de chorar. Eu rio porque dói. Dói todos os dias. Eu existo porque dói.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Conclusões de feriado.

  1. Moi bebe demais.
  2. Moi fuma demais.
  3. Moi não sabe amar.
  4. Moi não sabe amar e escolhe as pessoas erradas para praticar o não saber amar.
  5. Moi prefere fugir a encarar as coisas.
  6. Moi não sabe dar pontos finais.
  7. Moi quer fugir.
  8. Moi quer se esconder.
  9. Moi quer virar agricultora na China.
  10. Moi não sabe dizer NÃO.